4/21/2014

Em algum lugar no passado

O post de hoje vai em homenagem ao Luciano do Valle, aquele que não deixou o país viver na monocultura do futebol, além de promover inúmeros esportes, para nós, entusiastas do automobilismo, ele foi especial porque por suas mãos e por sua voz os brasileiros aprenderam a gostar da F-Indy, aquela "estranha" categoria que andava em circulos em alta velocidade, deu tão certo que conseguimos até realizar uma prova e ter uma pista oval, a única homologada, pelo que eu sei, pela CART na América do Sul.


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4/05/2014

Resumo geral

Fazia um tempo que não passava por aqui para dar uma atualizada, mas também, depois de um ano de autódromo fechado e destruído só me restou assistir aos acontecimentos, e agora vou passar para vocês um resumo da história de janeiro deste ano pra cá, nada novo que ninguém não tenha visto, mas para quem sempre passou por aqui em busca de novidades. Não custa manter isso aqui minimamente atualizado em respeito aos meus leitores.

Primeiro de tudo, sem ordem cronológica vamos à reeleição do atual presidente da FAERJ, não vocês não leram errado, reelegeram a mesma pessoa, de novo, nem sei mais quantos mandatos consecutivos ele tem, e nem me interessa saber, afinal de contas uma entidade que fiscaliza o automobilismo e que deixou escapar das mãos um autódromo de nível internacional não merece nada além de uma nota de pé de página mesmo.

Continuando, um assunto quente, a saída da presidente da EOM depois de um encontro difícil com os representantes do COI agora em março. A entidade passa a ser dirigida por um funcionário público de carreira, como foi no início do ano a contraparte federal do projeto olímpico, ex-banqueiro Marcio Fortes, que também deixou o cargo, e em seu lugar entrou um general que já andou enquadrando o presidente do COB, mas que parece que ficou nisso mesmo, por enquanto.

Já este, o do COB, está em suspeita de ter participado de um escândalo envolvendo a CBV, da qual ele foi presidente e de lá se alavancou para o palco olímpico, considerando as últimas derrapadas do comitê organizador, sua cabeça deverá estar a prêmio em breve, aguardemos.

Já terreno do ex-autódromo atualmente não passa de um canteiro de obras parado, segundo relatos o trabalho segue em marcha-lenta, com longos períodos de interrupção, agora o objetivo é remover os moradores da Vila Autódromo, e pelo projeto que soltaram (mais um) a remoção deverá ser total e não apenas parcial como se previa antes.


Inclusive, se observarmos bem, os equipamentos foram novamente realocados para o centro do terreno deixando as margens (mais valorizadas) vazias, sendo que agora o projeto imobiliário corresponde a quase 70% da área.

Um dos pontos de atrito da prefeitura com o COI foi a questão do "quem vai pagar  a conta", porque ao contrário da Copa, em que rios de dinheiro correram para o bolso das empreiteiras, a olimpíada está tendo de procurar parceiros, e a cada dia que a Copa está se revelando um fracasso financeiro e de imagem institucional, mais difícil fica a situação de vender a olimpíada, a situação internacional não ajuda, Sochi como se previa foi um fiasco, a Rússia está sofrendo sanções internacionais por conta da anexação da Criméia (que século estamos mesmo???), e há uma forte possibilidade de boicote de algum país na Copa, eu não me surpreenderia.

A verdade é teve gente que se vendeu por muito mais do que podia pagar e agora não consegue entregar o produto do roubo, ou vocês acham que as construtoras estão felizes em receber um terreno lamacento que não tem 10 metros de profundidade de solo firme para construir os espigões que eles pagaram tão caro para DOIS prefeitos mudarem a legislação de uso do solo da região, mudando até mesmo a localização de bairro?

A hora de verdade está chegando, isso eles não querem admitir, mas a vitória deles teve um gosto amargo, ficamos sem o autódromo é verdade, mas a vida segue, precisamos de outro, mas ele virá, um dia, e se não vier é porque o automobilismo carioca e brasileiro não merece tê-lo, até porque muitos dos que choram hoje com a falta dele não ajudaram a pressionar a FAERJ e a CBA quando deviam, aliás, sinto que existe um consentimento silencioso com tudo isso, afinal de contas são todos homens de negócios, e o fim do autódromo foi apenas mais um negócio como todos os outros.

Mas o que me espanta é como é que alguém pega um equipamento esportivo caríssimo, altamente agregador de valor (palavrinha da moda) para a cidade, e destrói sem mais nem menos para oferecer mais imóveis numa região já saturada de lançamentos imobiliários que sequer foram totalmente vendidos? Será que não existe punição para incompetência ou é apenas mais um fato consumado?

Outra coisa que já falei exaustivamente e não entendo é porque esses caras ricos, empresários, capazes de gastar uns 300 mil reais num carro esportivo pra ficar correndo da PRF na BR-040 no final de semana, não se juntaram ainda pra fazer uma pista particular? É tão caro assim ou todo mundo é só rico de fachada e fica mamando na teta do governo quando o assunto é ir brincar de carrinho?

A verdade, meus caros, é que a morte do autódromo de Jacarepaguá criou um enorme cadáver insepulto, e a cada dia que passa, que eles tentam esconder o crime, mais ele aparece, até o momento que não haverá mais dinheiro para pagar para mantê-lo escondido, então só restará admitir o erro, mas daí a devolver o terreno para reconstruir a pista tenho minhas dúvidas, até porque as empreiteiras já estão com as garras em cima, a menos que elas tenham seus bens arrestados para pagar o prejuízo que causaram ao patrimônio público, mas aí eu lembro que estou no Brasil, país onde o juiz vota o seu próprio aumento de salário... não, pera.

Minha opinião é de que o governo não devia se meter nisso, no Brasil se tem o péssimo hábito de misturar o dinheiro público com coisas de cunho privado, e o automobilismo é uma delas, o país não tem que financiar ida de ninguém pro exterior correr com as cores do banco estatal, muito menos "estimular" o esporte dando isenções fiscais à empresas para investirem milhares de reais em eventos nababescos. Se alguém quer correr, que corra com seu dinheiro, pagando o uso da pista seja ela pública ou privada, cabe ao estado cumprir com obrigações mais nobres para uma população de 200 milhões de habitantes, dois quais mais de 70% ganham menos de 2 mil reais por mês, e não são só autódromos, tem estádios, piscinas, quadras, centros desportivos, tudo caríssimo, pago com dinheiro do povo para usufruto de alguns poucos "privilegiados".

Automobilismo é coisa simples, vai lá no Sul ver como os caras correm nas pistas de terra batida, ninguém ali tem financiamento de lei de incentivo ao esporte, muito menos equipamento importado ou sofisticado, ali é vontade de acelerar e se divertir, motivo único pelo qual o automobilismo faz sentido, qualquer coisa fora disso é se aproveitar do suor alheio para ficar rico.

Sigamos o exemplo dos nossos amigos gaúchos, catarinenses e paranaenses, vamos construir um novo automobilismo dentro das nossas possibilidades reais, deixem pra lá essa história de herói de capacete e sapatilha, o Ayrton morreu já faz 20 anos, mas as carpideiras continuam por aí chorando o defunto, aquilo foi um fim de uma era, agora é hora de nos reinventarmos, e se esse novo caminho passar longe do que é convencionado como "profissional", que mal tem? Vai cair a mão se não sentar a bunda numa Ferrari? Vai se sentir menos motivado se não tiver um camarote com ar condicionado e cascata de camarão pros convidados?

Quer saber, tem é muito coxinha no automobilismo brasileiro, gente que não tem identificação com o esporte, que está por conta do ego ou porque papai assinou o cheque, tem gente que se estivesse lá fora estaria andando bem numa categoria internacional, mas prefere ficar aqui debaixo do holofote da TV  se sentindo "celebridade" porque aparece quinze segundos nos holofotes do programa de esporte dominical.

É isso, um post cheio de rancor, mágoa e sem nenhum motivo para estar feliz, o automobilismo brasileiro virou um balcão de negócios, o que não é ruim porque é disso que ele sempre viveu, mas usando dinheiro público seja direta ou indiretamente e isso é péssimo, onde se gasta o que não se sabe de onde vem se transforma em uma coisa sem sentido, e é nisso que o automobilismo brasileiro se transformou, ele não leva ninguém a lugar algum, os pilotos ficam ali anos e anos sem mudar, sem evoluir, só injetando dinheiro nas mesmas categorias que sufocam todo o resto.

Pra terminar um aviso: vai piorar.




12/13/2013

Improviso e descaso

Hoje é um dia triste para falar de automobilismo, morreu em Londrina durante os treinos para os 500Km o piloto Robson Kolling de 35 anos, ele estava no comando de um protótipo Grupo I, os mais velozes que competem no campeonato de endurance, quando bateu violentamente contra o guard-rail no final da reta. As primeiras informações falam de mal súbito, pois o carro bateu de frente no muro, mas alguns relatos dizem que ele pegou uma zebra e perdeu o controle do carro.

Enfim, não se trata do porquê ele perdeu o controle e bateu, triste é saber que nem toda a proteção do carro ou do piloto, e até mesmo da pista, não foram capazes de impedir o óbito, o que mostra que no automobilismo de competição não há espaço para o acaso, que o "se" quando acontece pode ter consequências devastadoras.

Mas porque estou falando da morte de um piloto em Londrina quando o blog fala da pista do Rio de Janeiro? É por causa da imagem abaixo:

Isso é a proposta de traçado para a corrida de Formula E no Rio de Janeiro, de autoria do piloto Lucas Di Grassi, que também deu consultoria no traçado da pista do complexo Beto Carrero em Santa Catarina.

O problema desse traçado não é um, são vários, a começar pelo pesadelo logístico que vai ser fechar o acesso para a Zona Sul a partir do Centro, pois ele usa tanto as pistas do parque como as junto ao prédio, o que demonstra que ele não conhece o local muito menos as características de tráfego, aliás, o próprio piloto admite que usou o aplicativo Google Earth para desenhar o circuito, ou seja, assim é fácil, até eu faço.

Aí entra outro problema: As pistas do Aterro não foram desenhadas para carros em alta velocidade, elas tem uma característica inclinação nas bordas para facilitar o escoamento da chuva, para modificar isso teria que se arrancar todo o asfalto e nivelar a pista, o que no atual estado de calamidade que se encontra a nossa cidade no tocante ao transito é praticamente impossível, só de pensar em fechar o Aterro por dias seguidos já seria motivo para engarrafamentos bíblicos.

As ruas junto aos prédios também não tem um asfalto liso, pelo contrário, em alguns trechos teria que se retificar bueiros e corrigir imperfeições enormes, tudo é claro, se conseguirem desviar o transito.

O pior de tudo isso é o piloto/consultor dizer que a pista ficaria à disposição de outras categorias. Que categorias? F-Truck? Stock-Car? a única categoria que até hoje ousou correr em pista de rua no Brasil foi a F-3 nos seus áureos tempos, mesmo assim eram circuitos precários de segurança.

Dizer que "isso" serviria para um Stock-Car competir me dá arrepios, imaginem um carro de uma tonelada e meia desgovernado naquela longa curva em frente ao Monumento dos Pracinhas, e não venham me falar da pista do CAB em Salvador ou Ribeirão Preto, aquilo não pode ser chamado de pista, está mais para desfile onde só cabe um carro por vez em alguns pontos da pista, no Aterro não, são 4 pistas largas, o que possibilitaria duelos com carros lado a lado em alta velocidade, uma temeridade, considerando que o público ficaria relativamente perto, pois não existem espaços fora do traçado, a menos que se construam arquibancadas junto aos prédios ou sobre os jardins do Parque, e mesmo assim limitaria a visão do público por em alguns pontos, sem falar do acesso dos boxes, áreas vip, em suma inviável.

Agora voltando ao triste acidente em Londrina, o impacto do carro no guard-rail se deu em torno de 200Km/h, a que velocidade vocês acham que chega um F-E?

Esqueçam tudo o que vocês sabem de carros elétricos, os F-E são monopostos iguais a um carro de corrida com motor a explosão, o que muda é apenas o motor e bateria, a caixa de câmbio sequencial está lá, assim como os aerofólios para gerar downforce e os pneus slick para gerar altas cargas de força G nas curvas, apenas não fazem barulho de motor, mas sim um zumbido alto e irritante dos dentes retos da caixa de marcha e do motor elétrico em altíssima rotação.

Ou seja, o cenário está montado, uma pista de rua improvisada, carros passando em alta velocidade, provavelmente o público perto - claro pois os carros não fazem barulho, logo são "inofensivos" - basta uma ondulação mal consertada, uma manobra errada (monopostos adoram enroscar rodas um com o outro e sair voando) e teremos um acidente espetacular no cartão-postal da cidade, será que precisamos disso?

Como disse antes, irresponsabilidade, descaso, desconhecimento, despreparo, tudo isso junto pode provocar um acidente, o caso de Londrina ainda tem que ser analisado para se saber as causas, mas serve de alerta para lembrar aos organizadores/promotores/dirigentes que com automobilismo não se brinca, é uma coisa perigosa, e os F-E são tão perigosos quanto qualquer outro carro de corrida fora de seu elemento, que é uma pista de corrida de verdade e não um autorama de exibição no meio de prédios e calçadas com postes e árvores.

Não é de hoje que tentam vender o Aterro como pista de corrida em substituição ao Autódromo de Jacarepaguá, a CBA já rasgou seu regulamento quando autorizou a construção de uma pista de rua em São Paulo quando já tinham Interlagos, resta agora saber se o Ministério Público, o IPHAN e os defensores do parque do Flamengo vão fazer com relação a isso, porque se depender do prefeito, amanhã já estarão montando os guard-rails, porque o negócio é vender a cidade a todo custo.

Mas talvez esse seja um custo que ele não possa pagar.

Update:
Para quem não conhece ou não lembra, um exemplo do que uma pista improvisada pode fazer, Montjuic - Barcelona, 1975:
http://continental-circus.blogspot.com.br/2007/04/gp-memria-espanha-1975.html


12/11/2013

Não foi por falta de aviso

Quem me acompanha desde 2006 sabe que sempre falei a respeito do solo do autódromo não ser adequado para obras de grande porte, visto que 2/3 do terreno de um milhão de metros quadrados foi fruto de aterro hidráulico por quase três anos seguidos, por isso não me surpreendem as fotos que me foram enviadas hoje, dia 11/12/2013, em que mostram o terreno totalmente encharcado, melhor, inundado mesmo, sendo que agora, final da tarde, me chega a notícia que estão quebrando o muro nos fundos do autódromo numa tentativa desesperada de escoar a água represada lá dentro.

E pensar que quando o autódromo existia ele nunca inundou, fosse qual fosse a chuva, porque existia um conjunto de canais de drenagem que levava o excesso de água pra fora da pista, além dos dois pontos baixos onde a água se acumulava e depois podia escoar naturalmente.

Vejam as fotos tiradas essa manhã:


 E acabou de chegar a foto do consórcio abrindo caminho para a água escoar.

Acho que neste momento as construtoras devem estar pensando seriamente em carnear o sujeito que deu a brilhante idéia de premiar as construtoras com o esbulho do terreno do autódromo em pagamento pela construção do Parque Olímpico, pois a essa altura não só a obra do equipamento está comprometida como também o futuro do empreendimento imobiliário, pois onde se pretendia construir 30 prédios de mais de 20 andares, dificilmente se construirão 4 ou 5 devido à necessidade de estabilização do solo, tarefa praticamente impossível, pois o local fica entre dois rios, sendo uma várzea inundável, como sempre foi e sempre será.

Aí, como fica o retorno financeiro do empreendimento, já que o custo da obra do Parque Olímpico dificilmente seria pago por  4 ou 5 prédios, que provavelmente não cobrem nem 15% da obra, seria o momento de declararem que é impossível construir no local e devolverem pra prefeitura?

Não foi por falta de aviso, se quiserem, aceitamos o terreno de volta e reconstruimos o autódromo, é só descerem do salto alto (enterrado na lama) e admitir que fizeram besteira. Sobre quem vai pagar o prejuízo, nós já sabemos, resta saber se vai ser com ou sem a pele do corpo.

12/05/2013

Formula E no Rio

Olá amigos, como não temos mais autódromo não tenho tido muito o que falar aqui, apesar de que assunto até existe, mas não considero relevante.

Poderia falar do quase desaparecimento total do automobilismo carioca, que se viu exilado em terras mineiras e que pouco ou nada se fala na mídia.

Ou então das obras do Parque Olímpico, um poço de lodo e incompetencia em que as construtoras estão enterrando milhões de dinheiro público para uma obra inútil.

Mas o que me trouxe hoje é o anúncio oficial da Formula E (de Elétrico) no Rio de Janeiro, matéria que recebi através de um atento leitor do blog.

Lembram que falei tempos atrás que o grande sonho da F1 era fazer uma corrida no cartão-postal da cidade?  No caso o Aterro com o Pão-de-açucar ao fundo, o evento da Ferrari serviu para isso, apesar da lambança a FIA aprovou o "circuito" e agora o Rio está oficialmente escalado para sediar uma etapa ano que vem.

2014 será um ano difícil, Copa do Mundo indo pro brejo (o que não quer dizer que não será realizada, ainda), reeleição indo pro brejo (essa vai mesmo)  e ainda por cima inventam de fazer uma corrida de carro no Aterro (como se o IPHAN e a associação de preservação do Parque fossem deixar), e ainda tem os jogos de 2016 (indo celeremente para o brejo, aliás, está instalado em um, onde era o autódromo de Jacarepaguá).

Deixo a notícia abaixo com o link e vamos aguardar maiores esclarecimentos de como será essa bagaça:

Rio de Janeiro replaces Hong Kong for 2014/15 Formula E season

Wednesday, December 4th 2013, 16:34 GMT

The FIA approved the final schedule for the 2014/5 all-electric series at its World Motor Sport Council meeting on Wednesday.
Rio was one of the cities originally earmarked for a Formula E race, but it did not make the cut when the provisional calendar was published in September.

It has now made it back in, taking Hong Kong's place as round three of the street track-based series.

Formula E kicks off in Beijing in September next year. It features a round in Monte Carlo a fortnight before the Formula 1 race, and will also visit London for the season finale in June 2015.

Series chief Alejandro Agag said: "It's a great feeling to be able to confirm our calendar for the inaugural Formula E season and we're very thankful to all the cities, and candidate cities, for showing their commitment to sustainable mobility.

"We're confident our final 10 cities will provide an array of fantastic backdrops to showcase electric cars in their favoured urban environments, as well as allow us to put on a great spectacle for the fans."

2014/15 Formula E Calendar:
September 13 2014  Beijing (CN)
October 18 2014    Putrajaya (MAL)
November 15 2014   Rio de Janeiro (BR)
December 13 2014   Punta del Este (UY)
January 10 2015    Buenos Aires (RA)
February 14 2015   Los Angeles (USA)
March 14 2015      Miami (USA)
May 9 2015         Monte Carlo (MC)
May 30 2015        Berlin (D)
June 27 2015       London (GB)

10/30/2013

Um ano sem autódromo... o que mudou?

Dia 28, segunda-feira, fez um ano do último evento oficial do autódromo de Jacarepaguá, a derradeira etapa do campeonato carioca, encurtado por força da prefeitura que nos deu um "ponha-se na rua" para as "urgentes" obras para os Jogos de 2016.

Hoje, passados doze meses tudo o que foi feito foi uma demolição que não deixasse nenhum rastro de que um dia houve uma pista de corridas ali, nem visto de cima nem de dentro, apenas um árido descampado poeirento onde, perdidas, estão algumas máquinas e equipamentos emulando um canteiro de obras inútil.

Bate-estacas trabalham dia e noite na tarefa infrutífera de tentar fixar algo naquele terreno lamacento, recentemente começaram a construir uma usina de concreto, provavelmente para fabricar os pré-moldados que irão compor os prédios provisórios para os Jogos. Mas não espere ver nada subindo agora, segundo o que disseram para um grupo de jornalistas estrangeiros que estiveram visitando o local semana passada só haverá algo para ver lá para meados de 2015.


A morosidade dessa obra se dá principalmente pelo fato da prefeitura ainda não ter se decidido qual será o projeto final, para os jornalistas eles mostram uma coisa, para um grupo de empresários em um seminário eles mostram outra, para os moradores da Vila Autódromo eles mostram uma terceira opção ainda, e nenhuma delas é a definitiva dada a incapacidade do governo em cumprir o que está escrito, vide a questão do autódromo de Deodoro, que ficou na promessa, emperrado por um Relatório de Impacto Ambiental que não sai, e sem ele nada pode ser construído em Camboatá.

Aliás, a eterna espera ao autódromo em Deodoro empacou a iniciativa de qualquer um em construir uma pista de corridas em nosso estado, como esta não sai, nada sai, fica todo mundo na vontade e a cada dia mais gente abandona o esporte, como se tivéssemos muita gente disposta a pagar os altos custos que se cobra hoje pra entrar num carro de corrida.

Uma das perguntas que sempre me fazem é: Porque ninguém constrói uma pista de corridas particular?

Será porque não interessa financeiramente, porque não temos mais praticantes em abundância para justificar um investimento de milhões em um equipamento esportivo de uso tão específico, mesmo que haja praticantes, será que eles serão em número suficiente e com assiduidade para mantê-lo?

Sem falar das obrigações contratuais que uma pista precisa ter para ser homologada, tudo isso custa dinheiro, é claro que há várias formas de consegui-lo, mas enfrentamos uma concorrência desleal e de baixo nível, literalmente, ele se chama futebol.

Há anos escuto a história que "automobilismo não dá certo no Rio porque tem a concorrência da praia e do futebol", em tese isso é verdade, mas na prática já vi as arquibancadas de Jacarepaguá cheias de gente em pleno domingo com sol a pino, e ninguém saiu até a última corrida, existem públicos e públicos, e o maior erro dos publicitários é achar que é tudo o mesmo público.

É claro que esse "erro" de percepção é proposital, o futebol dá muito dinheiro de propaganda, quem está no esquema não vai querer ver uma cervejaria colocando suas fichas em outro negócio que não seja o dele, logo, denegrir e prejudicar tudo que não seja o futebol válido e incentivado, daí o desaparecimento do automobilismo na TV aberta, ficando restrito à onipresente F1 e a uma ou outra prova nacional em uma emissora pequena, no resto, certames regionais, arrancada, é um completo e criminoso silencio sobre a segunda maior audiência em todas as mídias, perdendo somente para o supracitado futebol.

Temos um segundo fator pouco citado, mas talvez bastante percebido, um empobrecimento moral e material da chamada "classe média/alta", até os anos 80 era comum ver pequenos empresários e profissionais liberais se arriscando nas pistas, alguns até com certo sucesso, depois do choque econômico do início dos anos 90 o esvaziamento do automobilismo começou de forma célere, para piorar a "era Senna" veio com a promessa de redenção de um país que sofria uma falência moral, com políticos corruptos, carestia, falta de compromisso e ética por parte dos governantes.

De uma hora para outra todos os olhos se voltaram para os monopostos, garotos de 15/16 anos precocemente foram empurrados para o kart para se tornarem "pilotos", li e vi muita gente apostando em seus filhos como futuras promessas do esporte de olho no dinheiro que poderiam ganhar com isso, e então vi se repetir aquela velha história de que para cada 1 Pelé que nascia vinham junto 100 peladeiros de final de semana.

Seriam "peladeiros" do automobilismo? Sim seriam felizes correndo nos finais de semana, com seus carros de turismo, talvez gastando um pouco de dinheiro, mas não as quantias indecentes que se cobram hoje para uma única corrida em uma categoria dita "top", mas isso não aconteceu porque o senso comum apontava que ou você era um novo "herói de capacete e sapatilha" do país ou então não era nada.

Quantas vezes levei pessoas ao autódromo para ver o Regional e a primeira pergunta que faziam era se alguma categoria famosa corria ali, alguns até se surpreendiam com o fato do autódromo ainda ser usado, até eu achava um milagre ele não ter sido demolido depois que a F1 foi embora para SP.

Lá fora as coisas também mudaram, se no início dos anos 90 a F1 sofria com a concorrência de categorias como o DTM, Endurance e Rally, em poucos anos ela foi tomando o espaço dessas categorias quase extinguindo-as, isso também limitou as opções de quem queria se profissionalizar no automobilismo europeu, a opção passou a ser os EUA, mas tirando a NASCAR e a F-Indy a maior parte do público brasileiro desconhece, só agora, timidamente, a WEC está começando atrair interesse dos espectadores, e principalmente, dos pilotos brasileiros que querem continuar correndo profissionalmente e não querem acabar seus dias no fundo do grid de uma Stock-Car , o que mostra que sempre há espaço para algo novo, e não que tenha necessariamente um brasileiro ganhando.

Resumindo para isso aqui não virar um tratado sociológico, a imprensa brasileira trata o consumidor de esporte como uma criança limítrofe de 12 anos, em que o esporte se for individual tem que ter um brasileiro ganhando, se for coletivo tem que ser o time que representa o país ou o que tem o maior lobby de torcida dentro da redação, por isso o automobilismo foi varrido pra fora do tapete, porque as grandes agências de propaganda faturam bilhões vendendo anúncios em estádios de futebol e em propagandas de intervalos de jogos, uma corrida de automóveis tem muitas variáveis que eles não controlam, cada carro tem seu patrocinador, que pode não ser o principal do evento, imagina um carro com propaganda da Shell ganhando uma corrida patrocinada pela Petronas? Nada demais certo? Não para a mentalidade infantil e imbecilizada da imprensa e dos "gurus" das agências de publicidade, para eles só pode haver um destaque, um vencedor e que de preferência seja o que tem um contrato com ele.

Com isso encerro aqui minha disgressão sobre o atual momento que estamos vivendo no automobilismo brasileiro, uma completa falta de visão do mercado, tolhida por interpretações mesquinhas formadas a partir de uma cartelização do mercado de propaganda, que controla e decide o que você, caro telespectador vai assistir. É claro que ainda temos a internet com seus streamings mais ou menos amigáveis, mas isso até sair o marco da internet brasileira, que provavelmente irá jogar o país em algo parecido como uma idade das trevas digital, restringindo as velocidades de download de vídeo e acesso a sites estrangeiros.

Mas nem tudo é triste nessa história, tive o prazer de rever velhos amigos nesse final de semana, amigos de carne e osso e os de aço e borracha que estiveram presentes no Kart Point Indoor no Extra da Tijuca, segundo os organizadores a idéia é fazer este evento anual, espero que em breve eles possam fazê-lo em um novo autódromo em nossa cidade.

 Lorena GTL

Os karts de Ayrton Senna e Roberto Pupo Moreno


Kart Mini que pertenceu a José Carlos Pace


 Réplica do Lorena Porsche do Sidney Cardoso.


 Escort da Copa Shell de Marcas e Pilotos, certame que chegava a reunir mais de 40 carros por prova


 Punto preparado para correr, chegou a ser testado em provas do Regional carioca, seria uma
 evolução para sair dos velhos Corsas da década de 90


 F-Renault do piloto Lucas Mollo, essa excelente categoria escola deixou de existir a alguns anos.



 
 Fiat Linea de competição, categoria lançada pelo Felipe Massa que só durou dois anos.


 O lendário Alfazoni


 Os últimos guerreiros de Jacarepaguá, o Gol do piloto Claudio Schuback e o Corsa do Rodrigo de Paoli



Fusca de arrancada do Rodolfo da SMS Competições.


A Fiat Uno da escola de pilotos Bi-Campeão, muita gente boa aprendeu as primeiras curvas de Jacarepaguá ao volante desse carrinho.


 Claro que a Megamarcas tinha que estar presente com seus Mavericks


 O lendário Febre Amarela


 O incrível Mustang fastback, já correu muitas Mil Milhas enfrentado, e vencendo, carros bem mais novos que ele


 Um tributo ao grande Amaury Mesquita, que fazia muito carro grande comer poeira de seu Mini nos anos 60 no antigo circuito da Caledônia, que era como chamavam o autódromo na época.


A nossa mensagem, tanto ontem, como hoje, quanto sempre, enquanto durar esse absurdo, enquanto não nos devolverem o que nos foi roubado, a nossa história esportiva terá que ser retomada.

Só para terminar, para aqueles que acham que nunca mais teremos um autódromo, para aqueles que tem projetos, planos, idéias geniais, apenas digo uma coisa: FAÇAM. Não esperem momentos oportunos ou que o governo mude, o dólar abaixe ou suba, construa algo, nem que seja uma pista de 201 metros de arrancada, se der certo faça uma maior, depois uma pista de corrida de 3 km, aí mais para frente aumenta mais um pouco. Não se preocupe com associações de pilotos, liga para organizar torneios, esqueça isso, apenas crie o espaço e cobre pelo uso dele o valor justo, mesmo que demore um pouco para retornar o investimento. Não relaxe com a segurança, soluções simples e bom senso substituem equipamentos caros, o resto se usa o que tem.
Em vez de boxes de 200 metros quadrados com mezanino refrigerado faça um bom espaço pro padock com instalações de luz e água, tendas no lugar de paredes, o que importa é a pista e um bom lugar para o público ver, vamos perder essa visão distorcida de F1 sofisticada e glamourosa e vamos botar o pé no chão de que somos um país pobre e que, principalmente, antes de agradar os de fora, temos que agradar nós mesmos, vamos descer do pedestal de nobreza falida e vamos aprender com os camaradas do sul que fazem suas pistas de terra e se divertem a valer, vamos afrouxar o nó da gravata e aproveitar o esporte pra se divertir e não pra ficar rico às custas do suor dos outros, enfim vamos reviver os tempos que ao chegar o final de tarde, depois que os motores silenciavam e que só se ouviam os pios dos quero-queros, sentar na beira da pista e ter uma visão como essa:


Fiquem com Deus, nos vemos na pista.

10/23/2013

Sim, ainda estamos aqui...

Olá amigos.

Sei que muitos estão estranhando o silencio do blog, desde julho não escrevo nada por aqui, mas o que há para escrever?

Publicar fotos do terreno vazio onde ficava o autódromo, sendo que a última novidade é que estão construindo uma usina de concreto para as obras?

Ou então comentar as tentativas infrutíferas da CBA em cassar a liminar que impede a construção do autódromo no morro do Camboatá em Deodoro?

Falar do esvaziamento do esporte a motor no Rio de Janeiro e o fracasso do torneio Rio-Minas e a inexistência de uma pista de arrancada no estado? 

Ou ainda, comentar que o prefeito está todo enrolado com uma tentativa de empréstimo de 3 bilhões de reais para terminar o BRT?

Não meus amigos, não há notícias aproveitáveis, um ano após o fechamento do autódromo tudo o que resta é o vazio, o nada, ou quase nada.

E é nesse "quase" que esse post está dedicado.

Como não temos presente e o futuro é uma incógnita vamos falar do passado, que pelo menos existe e é palpável, temos uma história que merece ser contada e lembrada.

Por isso convido a todos a irem na 1ª Expoautoracing no Point Kart Indoor, 1º piso do estacionamento do Extra da José Higino na Tijuca, segue o folder abaixo:


Espero por vocês lá, amigos do esporte a motor, pilotos, preparadores, é o nosso esporte,a nossa vida, vamos nos reencontrar e relembrar os bons momentos, que parecem que já se foram há tanto tempo.



7/29/2013

A Draga

Muito se falou antes do fechamento do autódromo de Jacarepaguá em uma ajuda que a Prefeitura daria para quem fosse correr no Mega-Espace, pista localizada na região metropolitana de Belo Horizonte, na época eu achava absurdo que alguém topasse viajar 500 km pra correr um final de semana por mês, disse que se fosse assim era melhor pendurar o macacão e ir jogar vídeo game em casa.

O automobilismo regional geralmente é 99% pago pelo dinheiro dos próprios pilotos, alguns mais bem abonados ou relacionados conseguem até alguns patrocínios reais, mas a maioria passa o final do domingo assinando cheques ou separando dinheiro para pagar os integrantes da equipe, nada de mais se isso resultasse num final de semana em que ele estivesse satisfeito com tudo que tivesse sido feito e o retorno fosse a altura, independente de posição na pista ou no campeonato, mas o que era pra ser lúdico se tornou um calvário para a maioria dos participantes, a cada etapa se perguntavam se deveriam ou não preparar o carro para a corrida seguinte e se ao menos ela aconteceria, a mesma coisa com o pessoal da arrancada, e não surpreendentemente, dos 20/25 carros que alinhavam nos grids do Carioca até o final do ano passado apenas 5, sim 5 carros, se apresentaram para largar na segunda etapa do Torneio Rio-Minas nesse último final de semana.

Segundo relatos que recebi, o desempenho destes carros foi sofrível, coisa de 4 segundos mais lentos que os líderes, além de que desses 5 apenas dois chegaram ao final repetindo o fiasco da primeira etapa, e mesmo assim divulgam a prova como se ela fosse válida.

Essas coisas chegam a me dar vergonha, um campeonato que chegou a ter 44 carros alinhados, ser reduzido a isso é a prova cabal que o automobilismo carioca foi varrido para baixo do tapete, e que essa diretoria atual da FAERJ não tem condições de continuar a dirigir os desígnios do automobilismo carioca.

Não sei mais o que dizer, fica reprodução do release da FAERJ, parabéns aos dirigentes esportivos brasileiros que levaram o automobilismo brasileiro ao ponto que chegamos. Enquanto continuarem pensando apenas em vender carteira de piloto pra mandar pra fora do país para quem sabe um dia correr na F1 por uma equipe mambembe, pagando caro, o automobilismo brasileiro morrerá à mingua.



Como se não bastasse essa vergonha, o  Autódromo de Interlagos ao que tudo indica ficará fechado por pelo menos um ano para uma reforma que teoricamente lhe garantirá uma sobrevida por mais umas décadas, mas ninguém pensou como ficarão os pilotos paulistas com suas categorias que já estão sedimentadas há anos e agora reforçadas por alguns cariocas que resolveram ir para São Paulo devido em vez de esperar a solução de Minas Gerais. Vão se dividir entre o Velocittá e e Piracicaba? Legal? A F-Truck, GT-3 e Stock correrão aonde? Ribeirão Preto? Marginal Tietê?

Ah, vocês vão lembrar de Curitiba, afinal de contas a pista paranaense sempre socorreu os paulistas quando o Interlagos era fechado para suas eternas maquiagens pra F1, só que nem essa pista está garantida, ameaçada que está com o fim da concessão de uso do terreno, cujo proprietário foi condenado pela justiça trabalhista a pagar com a venda do mesmo os débitos devidos, logo o terreno irá a leilão, a menos que haja uma solução entre os concessionários e a justiça, mas só isso já coloca em cheque o planejamento dos eventos nacionais,  em um momento em que se precisa desesperadamente de exposição da mídia, perder as três principais capitais onde se tem autódromo no país é um duro golpe.

Acho que o que está acontecendo mostra a crise de que o automobilismo brasileiro está passando, não termos conseguido manter Jacarepaguá aberto foi a prova da fraqueza dos dirigentes esportivos e as consequências disso já começam a ser sentidas, e serão ainda mais em futuro próximo.

Um autódromo leva mais tempo para construir do que se pensa, não se trata apenas de aplainar uma área, asfaltar uma pista e colocar barreiras, se quisermos ter algo a altura do que tínhamos antes aqui  tem que haver um projeto sério, e primeiro de tudo a segurança de que nada vai ser mudado no meio do caminho para agradar interesses que não sejam o da construção da pista. Se tivessem ao menos cumprido o prometido e deixado o autódromo de Jacarepaguá aberto e funcionando, teríamos alguma esperança de manter o nosso esporte com visibilidade e lucratividade para os promotores de eventos, mas do jeito que está o esporte a motor ficou num beco sem saída.

Acredito que agora estamos vivendo um momento que ainda não mostrou todo o seu lado pior, daqui até o final do ano saberemos qual será o cronograma das obras de Interlagos e o que se resolveu sobre o AIC, do primeiro não tem jeito, ou se reforma ou ele morre na mão da especulação imobiliária, já o segundo pode se salvar se houver intresse público em mantê-lo, lembrando que o grupo que o administra hoje o pegou abandonado e com recursos privados vem mantendo-o dignamente, e espero que isso não acabe dessa maneira melancólica.

Acho que está hora de agir, depois do fiasco do Campus Fidei e das denúncias de crime ambiental e aterro criminoso da área de preservação permanente, acho que está na hora de reclamarmos a devolução do terreno do autódromo, afinal de conta o governador já está recuando na demolição do Júlio DeLamare e do Célio de Barros, lembrando sempre que o terreno pertence ao Estado, e que sua "doação" à Prefeitura é no mínimo altamente suspeita, além de, é claro, a concessão ao Consórcio também ter sido feita de forma atabalhoada, pois sequer foi apresentado um cronograma que justificasse a destruição da pista e que passado quase um ano nada tenha sido feito além de umas modestas sapatas de concreto que podem servir pra qualquer coisa ou coisa nenhuma.

Qualquer coisa diferente disso é continuar a ver o mato crescer, o tempo passar e nada sair do lugar, está na hora de começarmos a tomar brio, vergonha na cara, estou há nove anos com esse blog ne ão é por mim, que sou apenas um entusiasta de automobilismo, mas por todos aqueles que vivem e amam o esporte a motor, acho que está na hora, mais do que tardia, de começarmos um movimento "Volta Jacarepaguá", já que a prefeitura é incompetente até pra arrumar desculpa, vamos botar esse consórcio pra correr, já existe a denuncia do crime ambiental no MP sobre do Parque Olímpico,vamos nos mexer pra acabar com essa palhaçada.

Quando aos órgãos dirigentes do automobilismo fica a quem de direito decidir o futuro deles, mas sabemos desde já que com essas pessoas não teremos nem apoio, nem ajuda, nem nada, e se querem saber, nem precisamos.

Vamos em frente, que é pra frente que se caminha.







7/26/2013

Batata quente voando

Sempre que um grande evento acontece é o momento dos governos fazerem algumas mudanças de bastidores que pedem pouca visibilidade apesar de seu alto grau de comprometimento.

Uma delas foi a decisão de, durante a visita do Papa, o governo do estado passar suas responsabilidades quanto ao autódromo de Deodoro para o município, e não só ele, também os equipamentos olímpicos que serão instalados próximos.

Novo autódromo do Rio só fica pronto em 2015


Decisão judicial acarreta um atraso de um ano na construção do novo autódromo do Rio, em Deodoro. Corridas em 2014 continuarão a ser realizadas em outros estados


Michel Castellar - 25/07/2013 - 08:22 Rio de Janeiro (RJ)
O novo autódromo do Rio, em Deodoro, só ficará pronto em dezembro de 2014, após uma decisão judicial acarretar um atraso de no mínimo seis meses no projeto executivo. Com o atual cronograma de obras, a instalação receberá corridas em janeiro de 2015.
– A Fundação Getúlio Vargas já iniciou os estudos para a confecção do EIA/Rima e levará entre seis e oito meses. Não será mais possível inaugurar o autódromo no fim deste ano. Só no fim de 2014 – explicou o secretário nacional de Alto Rendimento, Ricardo Leyser.

O impasse a respeito do novo autódromo começou quando o Ministério Público entrou com uma ação exigindo a apresentação do EIA/Rima, em maio. Estes dois documentos são estudos ambientais referentes aos impactos produzidos pela obra tanto no local da instalação quanto no entorno.
O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) tinha liberado o Ministério do Esporte de apresentar o documento e concedido uma licença prévia para o início das obras. Mas uma liminar favorável ao MP paralisou todo a elaboração do projeto executivo, porque o documento não poderia ser finalizado, caso o EIA/Rima fosse necessário.
Esta paralisação começou em maio, quando a Justiça determinou a necessidade dos dois documentos, o que atrasará a obra.
– Fizemos uma série de avaliações, porque o Inea deu a licença prévia e fez uma monte de exigências. O EIA/Rima não era necessário, mas faremos – frisou Leyser.
O Rio precisou erguer um novo autódromo, porque o antigo, o Nelson Piquet, em Jacarepaguá, foi destruído para a construção do Parque Olímpico dos Jogos Rio-2016. A princípio, ele seria construído pelo estado com recursos repassados pela União.
Mas, como o L!Net revelou na quarta-feira, a prefeitura assumirá a construção do autódromo e utilizará o dinheiro federal.
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Com a palavra
Felippe Zeraik
Diretor Jurídico da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA)

"O MP, desta vez, serviu para atrapalhar"
Agora, a CBA nada pode fazer, porque foi uma decisão judicial. Tentamos mudar a sentença mas não deu.
O Ministério Público, às vezes, ajuda. Mas também, às vezes, atrapalha. E foi o que aconteceu.
E sou obrigado a isentar de culpa tanto o Ministério do Esporte quanto a prefeitura do Rio. Não posso colocar a culpa neles.
Perderemos estes seis meses para atendermos aos requisitos da Justiça e vamos torcer para que não seja necessário mais tempo.
Infelizmente, o ano de 2014 para o automobilismo no Rio também está perdido. O calendário terá de ser disputado, a exemplo deste ano, fora da cidade.
A única questão tranquilizadora nisso tudo é que o projeto executivo da instalação está praticamente concluído. Assim que o Ministério do Esporte terminar os estudos ambientais exigidos pela Justiça, todo o escopo do novo autódromo poderá ser finalizado.

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Exército continua a limpar o local
A descontaminação do terreno onde será erguido o novo autódromo do Rio, em Deodoro, na Zona Oeste, continua. O exército, antigo proprietário da área, procura artefatos explosivos no terreno.
– Esta descontaminação vai terminar antes de produzirmos o EIA/Rima. Já poderíamos estar trabalhando em parte do terreno, mas, agora, vamos precisar terminar o estudo ambiental – disse o secretário nacional de Alto Rendimento, Ricardo Leyser.
Em 1958, paióis localizados no terreno do novo autódromo explodiram e espalharam artefatos por toda a região de Deodoro. Por isso, o exército está descontaminando o local para liberar a construção do autódromo.
– Estamos recuperando uma área degradada. Lá não é um paraíso onde colocaremos um autódromo. Vamos criar um parque, com um autódromo, em uma área degradada – afirmou Leyser.
 http://www.lancenet.com.br/minuto/autodromo-Rio-so-fica-pronto_0_961704058.html#ixzz2aBMto7fg


Enfim, mais um capítulo nessa novela cada vez mais enrolada, tal qual uma nau sem rumo os responsáveis avisam que vão elaborar o EIA/RIMA para licenciar a obra, como se estivessem chegando hoje e não houvesse um longuíssimo cabedal de provas que inviabilizam essa empreitada, como essa lista que está nesse  site: http://rap.mp.rj.gov.br/?p=1658.

Continuando, essa foto abaixo mostra que NADA foi feito no local do autódromo de Jacarepaguá, quase um ano após seu fechamento e faltando três anos para o evento e considerando as péssimas condições do solo evidenciadas pelo fiasco do Campus Fidei, área próxima dali, e geologicamente semelhante, não me surpreenderia com uma mudança radical do local dos eventos, como a solução encontrada para a JMJ: levar tudo para a areia da praia, loucura? Não, com certeza vai ter menos gente do que os eventos que normalmente acontecem por lá e diminuiria drasticamente os investimentos que estão previstos para os Jogos.
Para terem uma idéia do que já foi feito, vejam essas sapatas no solo, quem conhece Jacarepaguá, sabe que iso não dá nem pra saída:

O fato é que estamos sem autódromo e sem previsão de tê-lo, a promessa de construção da pista para entrega em 2015 é só isso mesmo, promessa, que pode ser quebrada ou esquecida como tantas outras.

Não vou entrar no mérito da CBA ou da FAERJ, esta última tentando manter o calendário de eventos do automobilismo carioca em Minas, eles tem mais o que fazer, cuidando do pujante automobilismo brasileiro, principalmente de sua categoria de base, o Kart, cujas provas do Campeonato Brasileiro  acontecem nessa semana em Eusébio-CE.

Enfim, poderia fazer do blog um libelo contra a CBA e suas Confederações, textos não faltam na rede, tem uma comunidade no Facebook com mais de 2000 associados falando sobre os problemas e soluções possíveis para o automobilismo brasileiro chamada "Vamos Salvar o Automobilismo", mas o objetivo do blog é conseguir manter um autódromo no Rio de Janeiro, e que não seja através de uma ilegalidade como a que querem fazer em Deodoro.

O que se salva de toda essa história é o fato que depois de tantos desmandos o teatrinho montado está desabando na cabeça de quem o criou, e todos os que foram cobertos por este imenso guarda-chuva de impunidade serão atingidos, de uma forma ou de outra.

E vida que segue.

Nos vemos na pista


7/21/2013

Vila Autódromo resiste!

Hoje participei da manifestação contra a remoção da Vila Autódromo, uma luta que acompanho desde que comecei o blog, e posso dizer que são os únicos que estão conseguindo ganhar essa batalha contra o capital.

A manifestação foi pacífica, bem mais do que as que vem acontecendo por aí, fomos em uma longa caminhada saindo da Vila até a Arena e voltando até a Estrada dos Bandeirantes onde me separei do grupo, foram três horas de caminhada, mas eles continuaram até o Projac onde terminaram o ato, tem várias fotos na internet vou postar as minhas e vou deixar o link para os sites onde estas foram publicadas.

Primeiro de tudo, a surpresa dos repórteres do Mídia Ninja com a precariedade de alguns lugars por onde passamos, como a Comunidade Asa Branca, cujo esgoto a céu aberto invadia  rua obrigando-nos a passar pela calçada(?) que na verdade é de terra, um verdadeiro descaso se comparado a alguns metros atrás com as portarias dos condomínios de luxo vazios, outra imagem impressionante registradas por eles que se perguntavam: "O que são esses prédios vazios? Quem mora nesses lugares?".

Dei entrevista para os Ninja, foi rápido mas dei o recado, quando sair o vídeo da passeata vou colocar o link aqui, falei basicamente da história da destruição do autódromo, o abandono, dos promotores de eventos que levaram a pista nas costas durante seis anos até a destruição do traçado e principalmente, a importância do automobilismo para a cadeia produtiva de eventos realmente sustentável, pois o equipamento já está lá, é só usar.

A luta ainda está longe de acabar, tanto para o pessoal da Vila Autódromo quanto para nós, automobilistas, que dia 28 de outubro faremos um ano sem autódromo, para lembrar essa data acho que devemos fazer um ato de protesto, vamos pensar em algo, conto com a colaboração da comunidade automobilística carioca nessa empreitada, até porque até lá a farsa de Deodoro estará definitivamente sepultada e enterrada.

Seguem as fotos de hoje, e depois delas os links dos sites que deram cobertura ao evento.






https://www.facebook.com/RioNaRua?fref=ts

https://www.facebook.com/ComitePopularCopaRJ?fref=ts