5/05/2013

E a polêmica continua.

Me enganei quando disse que a polêmica do terreno de Deodoro tinha se encerrado na quinta-feira (02/05), ainda tivemos alguns desdobramentos interessantes que não só corroboram a impossibilidade de construção de alguma coisa naquele local como também mostram o quanto as pessoas referendam o absurdo para obter alguma vantagem.

Primeiro, uma reportagem da Folha de São Paulo, do jornalista Fábio Seixas:

03/05/2013 - 03h32

Além de bombas, área de futuro autódromo no Rio tem risco tóxico


FÁBIO SEIXAS
DO RIO 


O problema da presença de explosivos no terreno destinado a receber o autódromo de Deodoro, na zona oeste do Rio, pode ir além do risco de detonação acidental. Pode ser caso de saúde pública.
Documento do Gaema (Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente), do último dia 15, do Ministério Público do Rio alerta para o risco de resíduos dos artefatos terem contaminado solo e lençol freático da região, que receberá instalações para os Jogos Olímpicos de 2016. 
Antes de ser cedida ao Ministério do Esporte, no fim de 2012, a área era utilizada para instrução militar.
Está infestada por explosivos como morteiros e granadas, muitos não detonados.
Ontem o governo do Rio informou que se não houver garantia da retirada de todos os explosivos o autódromo não será construído lá, mas não falou sobre contaminação.
Segundo quatro promotores do Gaema, a exposição a substâncias como nitroaromáticos e nitraminas pode ser nociva, inclusive à saúde dos militares que estão atuando na remoção das bombas.
"Resíduos de explosivos são [...] persistentes e tóxicos, mesmo a baixas concentrações", escrevem os promotores, que pedem "avaliações e relatórios ambientais prévios" no terreno.
Os compostos são usados em explosivos para liberar nitrogênio de forma rápida.
"Há nitroderivados que podem ser cancerígenos. Mas depende da substância e da concentração", diz Miguel Joaquim Dabdoub Paz, doutor em Química e professor da USP em Ribeirão Preto.
Para Marcio Barreto Rodrigues, doutor em biotecnologia industrial e professor da UTFPR ( Universidade Tecnológica Federal do Paraná), serviços de remoção de terra e de terraplanagem podem agravar o problema.
O problema deve agravar a situação do autódromo.
Procurado pela Folha, o presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, Cleyton Pinteiro, disse ter ficado surpreso: "Só faltava essa". Ele afirmou que pedirá uma reunião em breve com o Comando Militar do Leste.
O secretário da Casa Civil do Rio, Regis Fichtner, disse que já informou aos ministérios do Esporte e da Defesa que a licitação só será realizada "se tivermos garantias de que o terreno está completamente livre de risco".
Ontem, em nota, o Comando Militar do Leste reafirmou que o trabalho de retirada de explosivos será concluído até o segundo semestre.
A Rio-2016 disse não ter evidências de que a área dos Jogos possa ter sido afetada. O Inea (Instituto Estadual do Ambiente) não respondeu. A licitação está prevista para junho. Os custos são federais. Por ora, a previsão de entrega está mantida para o segundo semestre de 2014.

Colaborou SÉRGIO RANGEL, do Rio 

No dia anterior (02/05), a opção "Deodoro" subia no telhado mais uma vez, agora quase que em definitivo:


02/05/2013 - 11h23

Mesmo antes de licitação, Rio já admite deixar de construir autódromo em Deodoro


DO RIO 

O secretário da Casa Civil do Rio, Regis Fichtner, admitiu nesta quinta-feira que o novo autódromo do Rio poderá deixar de ser construído em Deodoro, na zona oeste do Rio.
O terreno do Exército, onde será erguido o autódromo, serviu de campo de instrução militar e está sendo descontaminado.
"Já informamos aos ministérios do Esporte e da Defesa que só realizaremos a licitação se tivermos garantias que o terreno está completamente livre de risco", afirmou Fichtner.
Segundo o Ministério do Esporte, o Exército se comprometeu em entregar até julho o equivalente a 16% da área total do terreno de 2 milhões de metros quadrados do antigo campo de instrução, que correspondem aos trechos onde serão construídas pistas, instalações de apoio e arquibancadas, limpo de explosivos.
"Se essa questão não se resolver, teremos que ir atrás de outro lugar. Estamos discutindo isso com o governo federal e a Prefeitura do Rio", acrescentou o secretário.
A licitação está prevista pelo governo do Rio para acontecer em junho. O dinheiro será bancado pelo governo federal. Pelo planejamento inicial, a pista do autódromo deverá estar pronta no segundo semestre de 2014.
O Governo do Rio apresentou nesta quinta as propostas técnicas do consórcios para a licitação do Complexo de Deodoro. Nove esportes serão disputados lá durante os Jogos de 2016.

 Com isso essa entrevista com o presidente da CBA revela uma falha grave, que eles não previam "plano B", então como fica?

CBA crê em circuito de Deodoro, mas teme: 'Se não tiver condição, é o caos' 
Antiga área militar, terreno tem alto risco de explosões e descontaminação pode levar anos. Governo do RJ admite que pode procurar um outro local
Apesar de o secretário da casa civil do governo do estado do Rio de Janeiro, Regis Fichtner, admitir que o terreno de Deodoro pode não receber mais o novo autódromo, em razão do risco de explosões , o presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Cleyton Pinteiro, está confiante na construção do circuito no local. A área, no bairro da Zona Oeste da cidade, foi usada durante mais de seis décadas pelo exército para treinamento militar e como depósito de munição e possui materiais bélicos enterrados no solo. O risco de explosões é considerado máximo e o terreno precisa ser descontaminado para serem executas as obras, previstas para começar no fim de 2013, início de 2014. Porém, em reportagem à rádio CBN, especialistas afirmaram acreditar que uma varredura total da área de dois milhões de metros quadrados pode levar mais de 18 anos e desaconselham qualquer construção na região.
O presidente da CBA mostrou confiança na palavra do Comando do Exército Militar do Leste de que o terreno será entregue sem artefatos que possam prejudicar a construção do novo autódromo, mas admitiu uma pitada de preocupação, caso o processo não transcorra como o previsto.
- Eu continuo acreditando na construção do autódromo em Deodoro. O Comando Militar do Leste garantiu que ia descontaminar a área. Se eles assumiram, eu acredito. Até que provem o contrário, a palavra deles é maior do que qualquer outra. O exército brasileiro tem capacidade de fazer isso plenamente. Se não tiverem condição de descontaminar a área, será o caos. Vou me reunir com o CML para receber esclarecimentos sobre a situação e definir como proceder. Não temos plano B, não conversamos sobre outros terrenos até o momento - disse Cleyton Pinteiro. 
De acordo com o departamento jurídico da CBA, a licitação para a construção do novo autódromo está prevista para o início do segundo semestre, e as obras, para o fim do ano ou começo de 2014. O Comando Militar do Leste, que está realizando a descontaminação, admite que as obras poderão ser iniciadas antes da varredura total do terreno.
A construção de um novo circuito na cidade é um compromisso da União e da Prefeitura do Rio de Janeiro com a CBA e o Comitê Olímpico Internacional, em razão da demolição do Autódromo de Jacarepaguá para dar lugar ao Parque Olímpico para os Jogos de 2016. A pista antiga sediou dez GPs de Fórmula 1 e recebeu outras grandes categorias do esporte a motor como MotoGP e Indy, além dos principais campeonatos nacionais, como a Stock Car.
Promessas não cumpridas, RJ sem autódromo
O acordo inicial previa que o circuito de Jacarepaguá, que foi cedido pela Prefeitura do Rio à União, só seria desativado quando um novo autódromo, no bairro de Deodoro, fosse entregue. Mas, em razão de diversos impasses, a antiga pista já foi totalmente demolida e as obras no novo local sequer foram iniciadas.
Em novembro de 2012, um segundo acordo foi delineado. O terreno em Deodoro foi doado pelas Forças Armadas ao Ministério do Esporte, e o Comando Militar ficou com a responsabilidade de descontaminar o local. De acordo com o compromisso atual, o circuito de Jacarepaguá só seria desativado quando a nova pista começasse a ser construída. Porém, o autódromo antigo já foi totalmente demolido e as obras no novo local seguem na estaca zero. Sem ter direitos administrativos sobre o terreno, a CBA segue na dependência que as autoridades cumpram com a promessa da construção da nova pista para o Rio de Janeiro voltar a ter um palco para sediar competições.
- Vimos que seria complicado executarem o prometido no prazo. Temos um acordo verbal de que será feita a descontaminação e a construção do circuito – completou Cleyton Pinteiro.
De acordo com o compromisso atual, a União financiará a construção do novo autódromo. As obras serão de responsabilidade do Governo do Estado e a administração do local ficará por conta do município do Rio de Janeiro.

Mas o presidente esqueceu de dizer na entrevista que a entidade tinha entrado com uma liminar cassando a decisão de revogação da licença ambiental da obra junto com o Governo do Estado e o Inea, então ele era sabedor da proibição da obra, será que não tinha sido informado sobre os artefatos bélicos, e pior, pelos números apresentados até agora o lugar é um grande campo minado sendo impossível garantir a segurança de quem for realizar a obra ou frequentar o autódromo se este for construído ali.





Poderia ter acabado aqui, mas a cereja do bolo veio na noite de sexta-feira (03/05):



Rio

Câmara sugere que novo autódromo seja construído em Guaratiba


Jornal do Brasil





A sugestão seria uma alternativa diante dos riscos em construir o equipamento esportivo em uma área repleta de explosivos de alto poder destrutivo. O Comando Militar do Leste estima que sejam necessários 18 anos para encontrar todos os artefatos espalhados pela área de 2 milhões de m², que servia de campo de treinamento de tiro para as Forças Armadas.
A área em Guaratiba também é do Exército brasileiro, mas não enfrentaria os mesmos problemas que o espaço em Deodoro. O vereador Carlo Caiado (DEM), presidente da comissão, acredita que o bairro está totalmente preparado para receber um empreendimento desse porte:
"A abertura do túnel da Grota Funda está ajudando a viabilizar muito o bairro. Acho que há espaço para que o novo autódromo da cidade seja construído lá, como por exemplo, em um dos inúmeros terrenos pertencentes ao Exército. Vou me reunir com a Comissão na semana que vem e vamos tentar marcar uma reunião com o Secretário Régis Fichtner e encontrar uma saída viável”, promete.
Legislação impede construção
A legislação municipal, no entanto, não permite que o autódromo seja construído em Guaratiba, por conta de diversas restrições urbanísticas. Para Caiado, no entanto, a Câmara dos Vereadores pode auxiliar a viabilizar a ideia, alterando os marcos legais para a região:
 “A Prefeitura prometeu enviar a minuta do PEU (Projeto de Estruturação Urbana) de Guaratiba ainda esse ano à Câmara. Se houver um entendimento, o Projeto pode chegar a Casa já prevendo a implantação de um equipamento esportivo de porte, como é o caso do autódromo. Se não, a própria Câmara pode emendar o projeto e apresentar essa solução, que é muito positiva para a cidade e para o bairro", completa.

Analisando todo este contexto posso dizer que isso é no mínimo orquestrado, dizer que o prefeito não sabia da história de Deodoro é conveniente para quem o considera apenas um imbecil, diria que ele  se passa por, pois se fosse não estaria onde está, esperteza, ou que ele acha que é, é o seu sobrenome e está usando-a para começar um segundo passo de ocupação imobiliária na cidade.
Com a construção do túnel da Grota Funda ele tirou um "tampão" que impedia a expansão imobiliária da Barra-Recreio para a Zona Oeste, com o túnel pronto ele tratou de impedir a ocupação de baixa renda na região privando a população das vans e enfiandos-as no infame BRT, com isso, sem fartura de transporte a grande área circunscrita entre a saída do túnel e a estação Pingo Dágua virou uma especie de oásis sem casas, prédios nem condomínios, mas isso está para mudar.

A idéia de colocar um autódromo ali, seria perfeita, para eles é claro, pois atenderia os anseios dos automobilistas que sempre viraram a cara para a opção Deodoro, pois mesmo sem saber da questão dos explosivos ou da preservação ambiental, reclamavam principalmente pela falta de segurança da região e, creio eu, da perda de status de sairem da Barra para um subúrbio na beira da Avenida Brasil.

Antes que taquem pedra, e eu sei que vão tacar, eu tenho certeza que vai ficar todo mundo alegre com essa possibilidade de Guaratiba, eu também ficaria, se não soubesse que por trás disso vem um plano de ocupação imobiliária predatório, senão vejamos:

- O terreno da baixada de Guaratiba é um pântano imenso, inclusive parte da região é campo de treinamento do exército (mais explosivos enterrados?) e outra parte é centro de desenvolvimento da  Embrapa, que apesar do prefeito ter declarado que a cidade não possui mais área rural, ou seja, que todas as regiões da cidade estão aptas a concentração populacional, ainda funciona com importante centro de referência de desenvolvimento de produtos agrícolas.

- É sabido, e já disse isso aqui tempos atrás, que um autódromo é um precursor de ocupação urbana, primeiro porque traz a infra-estrutura básica: água, esgoto, energia elétrica e comunicações, segundo porque permite uma relação de trabalho direta, seja pela alocação em seu entorno de oficinas mecânicas, garagens, os lotes de arruamento são maiores, que permitem a colocação de casas com generosas garagens e quintais, o que hoje em dia é um luxo, já que a prefeitura considera que um apartamento de 40 metros quadrados é o suficiente para uma família morar, que basta ver até os lançamentos de condomínios de classe média para ver que a grande mercadoria que se tem ali para vender é o espaço e a qualidade de vida.

Pois bem, uma vez explicado isso eu não creio que um autódromo tenha vida longa, primeiro porque em pouco tempo seu entorno estria ocupado por casas, provavelmente de alto luxo, já que terreno farto e barato no atual estado da arte da especulação imobiliária carioca não existe, segundo que a operação do autódromo iria criar conflitos com o "bucolismo da vida no campo" que seria vendido para quem escolhesse morar ali pagando caro pelo metro quadrado e gastando fortunas para construir sua casa dentro de um condomínio.

Com isso em pouco tempo a operação do autódromo seria impossível, e sendo o terreno público não seria difícil outra manobra política para entregar o terreno para uma futura ação imobiliária, que aconteceria convenientemente quando se esgotassem as opções de áreas livres na região.

Temos a questão do solo, como falei antes, é uma região de baixada e lagoas, que se estende por quilometros quadrados, como aterrar esse solo convenientemente? De onde se retiraria material necessário pra conseguir subir, nivelar e compactar uma área tão grande?

Alguns números: o autódromo de Jacarepaguá foi construído sobre um solo de turfa apodrecida, fruto de milhões de anos de ciclos de maré e chuvas junto com o depósito de detritos provenientes das encostas dos morros que formaram a restinga onde hoje repousa o bairro, nada além disso, em 1966 Ayrton Cornensen, pai do primeiro projeto do autódromo, teve que remover toneladas dessa lama para assentar em cima do terreno seis metros da altura de terra, brita graduada e asfalto, e assim fazer um circuito minimamente utilizável, mesmo assim essa pista em 1972 já se encontrava totalmente deteriorada, sendo fechada para reformas que consumiram 5 anos e milhões de metros cúbicos de areia retiradas do fundo da lagoa de Jacarepaguá, essa areia formou a base do terreno do autódromo, o um milhão de metros quadrados tão cobiçados pela industria da construção civil, só que eles não sabiam que estavam comprando gato por lebre.

A engenharia da construção civil gosta de brincar de Deus, que para ela não existe obstáculo que a tecnologia não possa superar, mas ela esquece de um detalhe: o custo.

Para construir torres de apartamentos de 40 andares sob aquele solo arenoso e pantanoso, seriam necessárias soluções caras e demoradas para levantar os prédios, custo hoje impagável em tempos pré-bolha imobiliária, então o que fazer?
Uma solução seria devolver o terreno a prefeitura e esta reconstruir o autódromo de onde nunca poderia ter saído, parece uma solução fantasiosa, mas vejamos:
A Europa está falida, isso afeta diretamente os investimentos que estão sendo feitos aqui, a maquiagem da cidade transformando-a em balneário turístico custam caro, e só se justificariam se viesse dinheiro de fora, o que não está acontecendo, não na velocidade que esperavam, construtoras que jogaram na bolsa estão amargando prejuízos com a retirada de investidores europeus, em 2013 o número de lançamentos imobiliários caiu muito em relação ao ano passado e a situação só tende a piorar.

A reboque dessa recessão temos a questão do esporte, quanto menos dinheiro disponível mais se fazem tentativas para arrancá-lo do mesmo lugar que vinha antes, isso explica a multiplicação de eventos esportivos por todo o planeta, e essa situação está começando a incomodar os atletas de alto desempenho que já começam a reclamar publicamente do excesso de eventos cujo objetivo único é faturar. Exemplo disso é a Olimpíada da Europa, um ano antes do Rio, que já está sendo criticada pelos atletas, o COI autoriza esses eventos porque sabe que a fonte está secando, o problema é que agora ele está atingindo as pessoas que fazem o esporte, pois as que consomem já saturaram sua capacidade de absorver eventos, pagar por eles ou consumir o que é vendido com a imagem deles.

Os grandes eventos no Brasil abriram caminho para uma relação mais perversa ainda do capital com o povo, mas isso só foi possível com um governo com uma forte identificação e participação dentro deste, a continuar deste jeito estariam eles atirando no próprio pé, quando começaram a oprimir os mais pobres, dos bairros mais afastados, que não tinham vez nem voz, a grande mídia se calou convenientemente, pois isso não impediria que seu status quo fosse afetado, mas quando em pleno coração da Zona Sul se cravam imensos bate-estacas e derrubam árvores, e o governo trata da mesma forma aqueles que se achavam acima desses infortúnios, vejo aí um erro de cálculo.

Foi um erro terem destruído o autódromo, afinal automobilismo é esporte de rico, mas que muita gente pobre dependia dele pra sobreviver, tiraram o sustento do pobre, e os ricos não ligaram porque sempre teriam outra pista para andar, e estavam prometendo construir outra pista, de nível internacional, para eles, que apesar do nojinho de ter que ir para um subúrbio seria a volta do seu "parquinho", mas deu tudo errado.

A situação de Deodoro é incontornável, a proposta de Guaratiba é plausível, mas como mostrei acima é apenas a ponta-de-lança para uma invasão imobiliária, que pode até ser contida de momento por conta da crise de liquidez vivida no país, mas não subestimem o capital especulativo, ele pode aparecer de várias formas, basta haver a possibilidade de lucro fácil e rápido, e não esqueçamos a eterna fome das construtoras de cada vez mais dinheiro não só para sustentarem seus lucros como também os lucros daqueles que lhes dão as facilidades para ganhar as licitações e contratos.
Um autódromo em Guaratiba só será viável se for construído dentro um cinturão de segurança anti-especulação imobiliária, um parque de 2 milhões de metros quadrados onde o autódromo fique inserido, longe de qualquer influencia especulativa e diminuindo o seu impacto ambiental a um mínimo necessário para sua existencia, fora disso, é golpe, fraude e tentativa de usar o autódromo, ou melhor, a falta dele, para se gastar dinheiro público.
Outra coisa, o dinheiro, a prefeitura não deve gastar um centavo nesse autódromo, a construção deve ficar a caso da iniciativa privada, com dinheiro privado e administração privada, a contrapartida social será dada além da preservação do entorno como projetos sociais e acessibilidade de eventos de baixo custo para que quaisquer pessoas possam andar e melhorar suas habilidades em conduzir automóveis, os famosos Track Days, que começaram democráticos e acabaram virando um festival de exibicionismo tecnológico excludente.
Pode parecer utópico, mas como estamos vivendo numa distopia às vezes o óbvio toma contornos de extraordinário, a possibilidade do autódromo voltar para seu local de origem aumenta na mesma proporção em que os lucros das construtoras caem vertiginosamente, uma pista particular inserida em uma área urbana consolidada seria mais lucrativo a longo prazo do que mais uma coleção de predinhos de varandas e serviços que só se degradariam com o tempo provocando a desvalorização do metro quadrado da região.

Está cada dia mais claro que os grandes eventos estão se transformando num fiasco, ou melhor ainda, numa fraude, pois venderam a história que eles iriam mudar tudo e nada mudou, nem no esporte, nem na vida das pessoas comuns. Não se muda uma realidade de décadas em anos, ainda mais sem planejamento nem conhecimento de como as pessoas vivem e se relacionam com a cidade.

Como já falei antes, o automobilismo é a única possbilidade de grande evento e projeção internacional no país após 2016, e provavelmente o desespero em achar um lugar para o novo autódromo revele essa verdade, o problema é que não precisavam ter demolido Jacarepaguá para tanto, podiam ter adaptado os equipamentos lá dentro, mas a ganância falou mais alto, e muitas vezes quem muito quer nada tem, e esse parece ser o caso agora.

Querem automobilismo de volta na nossa cidade? É simples.
Devolvam o terreno da restinga de Itapeba e reconstruam o autódromo, que ele seja melhor, mais moderno, talvez com um traçado diferente. A mentira da valorização daquela região caiu por terra, resta saber até quando as construtoras vão continuar teimando em queimar dinheiro com um empreendimento que não vai decolar.

A Vila Autódromo não vai sair de onde está, muito menos o aeroclube, já se tentaram todas as desculpas possíveis para justificar uma remoção, mas eles não podem forçar como fizeram no Campinho ou no Morro da Providencia, ali todo mundo sabe exatamente o que fazer e pelo que lutar, e os nosso políticos não sabem lidar bem com isso.

Ainda há muita lenha para queimar sobre esse assunto, vamos ver o que a semana nos espera.

Nos vemos na pista.

5/02/2013

Brincando de batata quente, com tijolos...

A polêmica rendeu, de ontem pra hoje a notícia correu pelos salões felpudos do poder e, pressurosos, os (i)rresponsáveis por esta situação trataram de fazer um dos esporte mais populares dos políticos brasileiros: jogar a responsabilidade para outra pessoa.

Primeiro o prefeito disse que tinha sido uma explosão lá atrás, antigamente, que "tinha que ver isso aí" e que não queria "ver carrinho de corrida explodindo por aí" (fascinante a erudição e vocabulário desse sujeito, falo disse mais adiante). Já o secretário da Casa Civil, disse que ia cobrar um "certificado de segurança do exército" para garantir que não haveria risco de fazer obra sobre o terreno, este por sua vez disse que estava trabalhando e que não enchessem o saco senão tacavam um petardo daqueles na mesa de alguém... brincadeira, o EB não disse isso, apenas disse que estavam trabalhando, vi as imagens hoje no jornal da noite, soldados caminhando cuidadosamente com um detector de metal e escavando o solo, um trabalho penoso, perigoso, e principalmente lento. Não se deve cobrar pressa de quem está desenterrando um artefato explosivo enterrado há quase cinquenta anos no solo.

Apesar do coronel que comanda os trabalhos dizer que não há risco de explosão pois as granadas estavam sem os detonadores, em regra isso é verdade, os detonadores são separados dos obuses e só são colocados quando as armas serão usadas, mas mesmo assim existe um risco grande, quando aconteceu a explosão de 1958 as granadas estavam sem os detonadores e mesmo assim explodiram, as testemunhas disseram que fazia muito calor e outras ocorrências menores já tinha sido registradas.

Não sou especialista em armas, mas 4 anos sevindo às Forças Armadas me deram experiência em saber que não se deve subestimar esse tipo de coisa, uma bala de fuzil tem carga suficiente para atirar um projétil a 2 quilômetros de distancia, uma mina terrestre pode partir um carro ao meio, não são bombinhas nem fogos de artifício, foram feitos para matar e destruir e parece que apenas os homens do exército estão levando isso a sério.

Outro ponto que foi levantado hoje é que estão "estudando" a possibilidade de levar o autódromo pra outro lugar, mas onde? A cidade está toda loteada por empreendimentos imobiliários, existe a questão de impacto ambiental, de infra-estrutura, toda uma série de coisas que tem que ser pensadas, o autódromo ficou em Jacarepaguá por 40 anos, a cidade se aproximou dele e o fagocitou, mas aprendeu a conviver com ele, tirando uns chatos (que volta e meia vem bostejar aqui no blog) que reclamam do barulho dos carros (que com certeza deve ser menor do que a fuzarca semanal da piscina com churrasqueira do condomínio) a convivência vinha sendo pacífica, mas o que dizer de pegar uma região bucólica (claro, não vai ter quase ninguém no local) e colocar uma instalação esportiva do porte de um autódromo que se pretende que seja internacional, com vários eventos grandes por ano?

Nunca esquecendo é claro da questão ambiental, Jacarepaguá quando foi reformado para receber a F-Indy teve reconstituída a vegetação de mangue e restinga natural da região cuja fiscalização ficou a cargo do Ibama que não permitia sequer que se podassem os galhos das árvores mais altas para permitir melhor visualização da pista lá de cima da torre, mas esse mesmo órgão fechou os olhos quando os invasores picaram todas as árvores do terreno transformando-as num imenso monte de farpas de madeira, se quiserem as fotos é só procurar nos posts antigos do blog.

Foi um crime ambiental sim, devidamente registrado, e que até está sendo investigado, mas o judiciário carioca atualmente tem se mostrado apático em fazer qualquer ação contra os descaminhos do dinheiro público, quanto mais do patrimônio da cidade, até quando isso vai acontecer não sei, o que sei é que quando um juiz ou desembargador resolve tomar alguma atitude surge sempre um telefonema misterioso que manda parar tudo, e eles caninamente obecedem, esquecendo o que estudaram para chegar ali, infelizmente é esse o judiciário que nós temos, o da balança pendente, e que não é para o lado mais fraco.

Mas voltando às notícias, vou deixar pra registro os links das sonoras da CBN, ela está batendo pesado na história, e como faz parte do conglomerado da Globo, podem ter cereteza que tem caroço debaixo desse angu, aonde isso vai levar eu não sei, mas com certeza não era o que muita gente queria.









Enquanto isso começam a estaquear as primeiras estruturas no terreno do autódromo ainda de forma lenta, considerando que faltam 3 anos, já era pra estar mais adiantado, mas no Brasil é assim mesmo, gostam de fazer tudo de repente, rápido, caro e sem licitação, mas o problema agora parece ser a falta de dinheiro, tanto que o prefeito quis tirar dinheiro até da OSB, mas como foi muito pressionado teve que voltar atrás na idéia, o que não impede que ele faça outras investidas em coisas que não deem "projeção à cidade".

Aliás, esse tema, "projeção", "imagem", lembro que anos atrás dei uma entrevista a alguns alunos de jornalismo da UERJ que acabou virando um vídeo, onde falo categoricamente que esse negócio de imagem, valor de imagem, custo de imagem, é tudo invenção, é uma idéia de tirar dinheiro de algo invendável, imaterial, intangível, cujo valor real não pode ser avaliado de forma honesta, apenas por suposições, criou-se uma lenda em torno disso, mas uma pessoa bem mais sábia do que eu escreveu sobre o caso da OSB e deu a palavra que considero definitiva:

Aparentemente, o prefeito está nervoso porque tem grandes eventos pela frente. Grandes eventos, entretanto, se enfrentam com sangue frio, e sem sacrificar o dia a dia das pessoas que estão aqui antes dos eventos, e que continuarão aqui depois que a tempestade passar.
 http://oglobo.globo.com/cultura/artigo-quando-um-prefeito-sai-da-sua-orbita-8258845

É isso, está todo mundo nervoso não sei o porquê, afinal de contas a presidente tem setenta e tantos por cento de aprovação, o Eike tem dinheiro pra comprar o Maracanã, a Marina da Glória, o Corcovado, dizem até que ele encomendou uma face nova pro Cristo que, oh coincidência, é a cara dele sorrindo, enfim, não sei porque tanto nervosismo nesses senhores, afinal de contas venderam as almas e as pregas da cidade no leilão das construtoras, elas agora administram as barcas, metrô, trens, talvez algumas empresas de ônibus que ainda não pertençam a parentes de políticos, em breve também deverão estar administrando as empresas públicas, como coleta de lixo, água e esgoto, luz, enfim, uma cidade privatizada onde o governo é mera figura decorativa, que finge governar dentro dos espaços que ainda não vendeu, que aterroriza os cidadãos de bem tirando deles os direitos mais básicos como se locomover e ter um teto sobre a cabeça (BTR´s, vans, remoções, alguém esqueceu?), tudo em nome da monetização do intangível, a cidade-espetáculo que vende o café da manhã pra pagar o almoço e por aí vai, uma cidade de seis milhões de habitantes que quando precisa de hospital é recebida com propaganda e incompetência, que quando precisa de escola descobre que seu filho só vai passar de ano porque o professor precisa de média de nota alta da turma inteira pra poder ter enquadramento de salário, que temos um funcionalismo público com um regimento interno jurássico que além de outras coisas dá brechas até para assédio sexual, em todos os níveis de governo estamos cercados de incompetentes pomposos com seus crachás e pins de lapela representando em que canil sentam para latir protegendo o governo.

O prefeito dá mostras gritantes de sua incompetência, de um provincianismo tacanho de uma pessoa que teve tudo na vida para ser grande ao sol dos vencedores, mas preferiu ser medíocre à sombra dos poderosos, e é essa pessoa que vai estar à frente da nossa cidade até 2016 (se o judiciário não o tirar antes), mas que está deixando marcas irreversíveis em nossa cidade, junto com o governador, esse nem falo, já tem bastante gente batendo nele, e mais um punhado de inúteis pomposos, eles serão os responsáveis pela desgraça da nossa querida cidade do Rio de janeiro.

Vou parar por aqui, acho que já deu, a menos que explodam alguma coisa lá dentro que venha cair aqui em casa (moro a 8 km de Deodoro para quem quer saber), não teremos mais nada sobre esse assunto por algum tempo, a repercussão disso pode até ter saído do Brasil, mas não tenho esperanças que vire um breaking news da CNN ou da BBC, no máximo um ou outro site dará a notícia.

Ah sim, antes que os olimpistas suspirem aliviados, vou deixar um aviso: Serão realizadas em 2015 as Olimpíadas da Europa, com 7 mil atletas, um ano antes daqui.

Para quem entende, um pingo é letra, Rio 2016 não subiu no telhado, já escalou o para-raio.

Devolvam o terreno do nosso autódromo!

Fui.

5/01/2013

Tijolos quentes e terreno podre...

Zona vermelha, no mundo do automobilismo essa é a designação que se dá ao limite de giros do motor, onde se corre o risco de um dano irreversível que pode tirar o carro de uma prova, no jargão militar é o grau mais alto de periculosidade de uma área que tenha a presença de artefatos não-detonados, os famosos "tijolos quentes" do título.

Abaixo seguem o áudio e as imagens que foram ao ar hoje cedo na rádio CBN:






E temos a notícia da desistência da construção da Vila de Mídia, um dos empreendimentos imobiliários que viriam a reboque das Olimpíadas, a desculpa foi de que o terreno seria argiloso, leia-se, de difícil construção, o que encarecia o custo da obra, e os levantamentos feitos mostraram que não haveria interesse do mercado em mais um predinho de apartamentos em uma região enfartada de prédios semi-ocupados e caros com problemas óbvios de mobilidade urbana, os quais nem o prometido BRT vai suprimir.


Rio desiste de vila e abrigará mídia em prédios privados na Olimpíada

 Vinicius Konchinski
Do UOL, no Rio de Janeiro


A Prefeitura do Rio de Janeiro desistiu do projeto do Bairro Carioca Olímpico. O conjunto de prédios que deveria abrigar jornalistas durante os Jogos de 2016 não será mais erguido. Agora, o governo municipal pretende acomodar a imprensa em empreendimentos imobiliários privados na Zona Oeste do Rio.
A decisão foi anunciada nesta terça-feira pela presidente da EOM (Empresa Olímpica Municipal), Maria Silvia Marques. Marques foi uma das representantes do governo brasileiro que participaram de reuniões com diretores do COI (Comitê Olímpico Internacional) para revisar a preparação para a Olimpíada de 2016. Os encontros começaram na segunda-feira e terminaram nesta tarde.
Segundo Marques, a mudança na acomodação dos jornalistas é a única novidade da reunião. Ela disse a jornalistas após os encontros que o COI não fez qualquer ressalva à preparação do Rio para a Olimpíada. O comitê, inclusive, aprovou a alteração na forma que a prefeitura pretende receber a mídia na cidade.
De acordo com a presidente da EOM, o Bairro Carioca estava planejado para para um grande terreno na Zona Oeste, local que receberá a maior parte das competições olímpicas em 2016. Foi constatado, porém, que a obra seria muita cara e de pouco legado para a cidade.
“O terreno escolhido é argiloso, teríamos que fazer toda uma estrutura ali e isso custaria até R$ 100 milhões”, explicou. “Nossas pesquisas mostraram também que não teríamos demanda para vender os apartamentos após os Jogos. Por isso, resolvemos fazer acordos com o setor privado.”
O Bairro Carioca teria 7 mil quartos. Sem ele, a prefeitura vai oferecer benefícios para que construtoras ergam por conta própria prédios para receber jornalistas. Depois das Olimpíadas, os apartamentos também poderão ser postos à venda.


Somadas, essas duas notícias remetem àquilo que venho falando há anos, da impossibilidade de aproveitamento econômico do local, seja pelo saturamento de empreendimentos semelhantes, seja pelo custo de se construir em terreno instável, como já demonstrado exaustivamente desde as intervenções feitas em 2007 para o Panamericano e que já evidenciavam a precariedade do solo.

O problema é que o estrago está feito, o autódromo foi arrasado, mas no lugar dele não há como construir algo realmente rentável, a menos que se espere uns 30 anos para o mercado voltar a se normalizar depois desse boom imobiliário somado à especulação desenfreada, que desorganizou completamente as relações de preço e custo-benefício.

Creio que não seria difícil conseguir a paralisação imediata de qualquer atividade no Camboatá, pois estão colocando em risco a vida de milhares de pessoas que moram e/ou passam pelo local diariamente, além de que não é cabível que se faça uma limpeza parcial apenas da área a ser utilizada pela construção do autódromo dexando no local material altamente explosivo.  Segundo os próprios militares seriam necessários 18 anos para se conseguir limpar totalmente o terreno, sendo que muitos artefatos não podem sequer ser destruídos no local, pois são de alto poder destruitvo, podendo lançar estilhaços a pelo menos um quilômetro de distância, o que afetaria áreas desamente populosas.

De absurdo em absurdo, o entusiasmo sobre os grandes eventos esfria cada vez mais, e em seu lugar surge a estupefação e a revolta contra o que estão fazendo com a cidade.

Acuados, prefeito, governador e presidente se escondem debaixo da blindagem da mídia, que aos poucos começa a rachar, pois é melhor derrubar o governo do que perder a credibilidade, e pior, perder a capacidade de manipular a opinião pública e vender a governabilidade.

Isso ainda terá desdobramentos, com certeza o Ministério dos Esportes irá dizer que tudo é mentira, que os militares estão de corpo mole e estão sendo antipatriotas, a presidente irá dizer que estão todos torcendo que dê tudo errado, o prefeito dirá que é nheco nheco, e o governador vai fazer de conta que não é com ele (aliás, este está mais cagado que pau de galinheiro), mas a culpa é de todo mundo, desde o princípio sabiam que o terreno era inapropriado, mas mesmo assim continuaram com a mentira, mas agora a verdade está aí para quem quiser ver.

Se continuarem com essa maluquice, há um grande risco de acontecer um acidente sério com esses explosivos, com desdobramentos imprevisíveis, provavelmente essa matéria foi lançada ao ar como um grito de alerta, o EB está cumprido ordens, e está claro que elas são absurdas, mas eles precisam que a opinião pública mande os burocratas pararem de mandar eles fazerem isso, pois o papel do militar é executar ordens, mesmo que pareçam absurdas e no momento o mais vemos é isso, absurdos em cima de absurdos.

Vou parar por aqui, poderia falar da questão da falência dos hospitais públicos, do descalabro das licitações de cartas marcadas, mas fugiria do foco principal deste blog, que é o autódromo, e que não é pouco assunto, pelo visto.

Hoje é feriado, data em que lembramos não só a implantação da CLT como também a morte do mito Ayrton Senna, se ele fosse vivo talvez nada disso estaria acontecendo, não sei, não temos como ver uma realidade paralela, temos esta realidade em que não podemos mudar o que já passou, mas podemos mudar o que ainda não aconteceu.

Nos vemos na pista.




4/25/2013

Torneio Rio-Minas, largada


Enquanto não se resolve a questão de um autódromo dentro do estado do Rio de janeiro, vamos nos virando com o que temos, no caso o Mega Espace em Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte.

É longe, a pista não é tão "amigável" com erros como era Jacarepaguá, mas é o que tem para o momento, é isso ou correr a Copa Marschal em Interlagos,  é o preço que pagamos por ter cedido às pressões do capital e da especulação economica que assola a nossa cidade.

Os resultados estão aí: preços extorsivos de ingressos pra Copa, destruição de equipamentos esportivos públicos, licitações viciadas, enfim tudo isso não me surpreende, apenas confirma aquilo que prevíamos desde o início, que tudo isso não passa de uma apropriação indébita do patrimonio público por parte de meia dúzia de espertos.

O tempo dirá se sairão impunes ou não, a julgar pelos últimos acontecimentos, eu diria que estão se aproximando perigosamente da beira do abismo, resta saber se vão cair ou recuar.


4/16/2013

Audiencias secretas, orçamentos inexistentes e ameaças veladas

 Foto: Fabio Seixas via twitter


Enquanto o tempo passa as coisas vão se revelando cada vez mais claras.

Primeiro, o orçamento da União foi publicado semana passada, nenhuma linha sobre as verbas destinadas para a construção de uma nova pista.

Claro que as verbas para as obras são manipuladas de forma totalmente obscura, a qualquer momento a verba "surge" e viabiliza a obra, mas o mínimo que o governo poderia fazer para diminuir a incerteza que cerca tudo isso seria colocar as coisas às claras, mas pela fala do (ainda) ministro dos esportes, o autódromo está prometido, pra quando ninguém sabe.

O que me supreende, como se não faltassem supresas desagradáveis em todo esse processo, é o fato de que passado quase seis meses da destruição da pista, nenhuma obra ainda tenha sido iniciada no local, e que nem mesmo exista o projeto executivo da obra, e faltam menos de três anos para os Jogos.

Será que o golpe é tão explícito assim? Não construirem ou atrasarem as obras de propósito para não erguerem nada nesse local e assim ficar com o terreno para construir seu condomínio de luxo? Inadimssível! Para que então destruiram a pista? E pior, se não há sequer a remota possbilidade de uma nova ser construida em menos de cinco anos, como autorizaram isso?

Na verdade as construtoras se apossaram indevidamente desse terreno, o último grande golpe dos barões da especulação imobiliária, que começaram seu império latifundiário nos anos 60 e não pararam mais de tomar e grilar terras, e são estas pessoas que bancam os políticos, os partidos, as empreiteiras, uma máfia podre que se alimenta do dinheiro do governo e da desgraça dos outros para sobreviver.

Segue abaixo o relato da advogada ambientalista Sônia Rabello, ex-vereadora e forte opositora ao modelo de projeto que se instalou na cidade:

Parque Olímpico, uma audiência desconhecida. Você sabia?

15 | Abril | 2013

Na manhã desta segunda-feira, dia 15, abro minha caixa de emails e vejo o aviso de uma amiga do Inverde, no qual diz que leu, surpreendentemente, uma publicação no “Diário Oficial” do Município, do dia 1º deste mês, anunciando três audiências públicas sobre importantes equipamentos do Parque Olímpico: as quadras de Tênis, o Parque Aquático e o Velódromo.

Soube que, formalmente, cada equipamento teria sua própria sessão de audiência. Ou seja, a das Quadras às 9h30, a do Parque Aquático às 11 h e a do Velódromo estaria marcada para as 14 h.

Cheguei às 10h. Apesar de ter perdido a introdução geral, descobri que seria repetida de forma igual nas duas sessões seguintes. Nenhuma novidade.

Por isso, posso aqui fazer um resumo do que houve em comum nas três sessões. Antes, porém, é necessário registrar a completa falta de público popular na audiência. 

Acho que fora os funcionários públicos das empresas municipais e de alguns representantes das construtoras, de público mesmo só tinha eu e olhe lá.
Ninguém da imprensa. Ao menos, identificado!

Na 1ª sessão, por exemplo, olhando rapidamente a lista de assinaturas, contabilizei trinta e uma pessoas, das quais contei onze assinaladas como EOM – da Empresa Olímpica Municipal – e que estava realizando a audiência, conduzida pelo seu presidente, Roberto Aibinder (RA).

Meus destaques desta primeira matéria:

1. Os três equipamentos (Tênis, Parque Olímpico e Velódromo)  ainda não têm projeto básico e foram expostos apenas os estudos preliminares.

Por isso, nenhum dos slides apresentados estão no site da empresa. Talvez, nem estarão (quem viu, viu..).

Segundo a explicação do Sr. Roberto Aibinder, como as informações definitivas só virão com o projeto básico, então é que se fará, provavelmente, a atualização dos projetos destes equipamentos na página da EOM.

2. O projeto básico deverá ficar pronto no final de março. E aí, programada a licitação das obras, talvez no final de abril, com a elaboração também dos projetos executivos.

3. Todos os custos dos projetos básicos e executivos estão sendo custeados pelos recursos públicos do Município. O Velódromo, por exemplo, teria custado de R$ 5 milhões, para o total dos escritórios contratados (mencionaram o nome de seis escritórios).

Nada comparado com os R$ 133 milhões estimados só para pagamento da sucumbência dos advogados em certa ação judicial em curso, cujo objeto é a disputa de indenizações fundiárias na Barra, contra o Município.

4. O custo das construções destes equipamentos serão todos pagos pelos recursos públicos federais (PAC 2 – Ministério dos Esportes).

Para cada um dos três equipamentos foi estimado um valor genérico de cerca de R$ 180 milhões. Ou seja, total estimado, hoje, R$ 540 milhões, sendo que parte dessas construções será totalmente desfeita após os Jogos, pois o terreno irá para o patrimônio do Consórcio de empreiteiras que venceu a parceria fundiária da Península de Jacarepaguá

5. Serão desmontados o Parque Aquático e parte das Quadras de Tênis e handball. Permanecerá a grande Quadra de Tênis e o Velódromo.

6. Perguntado sobre como e quem administrará o equipamento que permanecerá, foi informado que isso é um legado pós-olímpico e que não faz parte do conteúdo da audiência. Nada a declarar, nem declarado

Pouco gente, poucas perguntas, audiência bem rápida, formalidade cumprida.

Quem viver verá, e saberá, pós 2016, qual será o verdadeiro legado olímpico e também qual o ônus que nos será também legado a pagar. E quem serão, após 2016, os donos privados desses 1.180.000 m2 de terras públicas (118 hectares urbanos), onde jaz o Autódromo de Jacarepaguá.


Isso meus amigos, é o que a imprensa pomposamente chamou de "o coração dos Jogos", um punhado de projetos feitos nas coxas, sem previsão de serem mantidos após o evento, e ainda por cima, com o terreno público sendo dado de graça para as empreiteiras sem que estas gastem um tostão com isso. Se era pra ser assim porque não contrataram a EMOP? Precisava entregar o terreno? 

Quando um funcionário público atenta contra o patrimônio da coletividade ele é processado, o que podemos dizer da dupla governador/prefeito diante de tantas aberrações juridico/administrativas? Até quando vamos conviver com a inapetência do poder judiciário? 

Mas essa é apenas a ponta do iceberg, a outra polêmica da semana foi a declaração do todo-poderoso da F-1, Bernie Ecclestone, de que Interlagos ou passa por uma reforma profunda ou não terá mais a F1, as opções seriam Penha, em Santa Catarina, ou o Rio de Janeiro.

Penha eu conheço superficialmente, passei por lá no ínicio do ano, é um balenário perto de Camboriú, servido por um aeroporto modesto e uma rede de hotelaria suficiente para os meses de verão na alta temporada, mas que ainda está aquém do nível que uma F1 precisa e tem hoje em SP.

Já o Rio deu um tiro de bazuca no próprio pé ao destruir sua pista, talvez a pressa na demolição tenha sido extamente por causa disso, pois a obra de Interlagos teria que ser iniciada logo após a posse do novo governo. Em novembro do ano passado quando a F1 veio ao Brasil, Bernie chegou a visitar as obras do autódromo de Penha, mas na época nem se pensava na possibilidade de não se fazerem as obras de readequação de Interlagos, mas agora, passados seis meses, a situação está se mostrando insustentável.

Bernie alega que manter Interlagos como está tira dele a autoridade de cobrar melhorias em outras pistas do calendário, na verdade isso é um jogo de vontades, porque o dinheiro existe, a F1 investe muito na cidade, mas o atual governo não está interessado em gastá-lo na pista, prefere seguir os passos do Rio de janeiro, que se mostrou bem-sucedido em destruir equipamentos públicos e transformá-los em espaços privados, vide autódromo, estádio de remo, Marina da Glória, e mais recentemente a ameaça de destruição do Célio de Barros e do Júlio DeLamare.

O tempo está correndo, a Copa é ano que vem e depois dela só restarão menos de dois anos para os Jogos, e após estes, o vazio, o nada, restarão os elefantes com capim nascendo em volta, as dívidas e o legado maldito de obras mal-feitas, incompletas e superfaturadas.

O mundo dá voltas, muitas, é como uma corrida de endurance, se você exige demais do equipamento no ínicio corre o risco de quebrar no meio da prova ou parar para reparos, perdendo muito tempo, às vezes deixar o inimigo tomar vantagem para dar o bote na hora certa e retomar a liderança quando ele não tem mais como resistir é a melhor tática, ainda não chegou essa hora, mas quando chegar, nós, alguém, alguns, todos, não sei, estaremos lá.

Nos vemos na pista.

4/09/2013

O inferno em que vivo

Ontem, em cadeia nacional pelo programa Roda Viva da TV Cultura, o país conheceu a face stalinista do governo do PT encarnada pelo Ministro dos Esportes Aldo Rebelo.

Horrorizados, os jornalistas da bancada do programa, além de muitos que acompanho pelo Twitter, tentavam arrancar do ministro declarações minimamente plausíveis sobre os gastos exorbitantes da Copa e Olimpiada, tudo o que conseguiram foram evasivas e coisas incoerentes como usar os estádios da Copa para "eventos e casamentos".

A visão do Ministro não é tacanha, é de má fé. É acreditar que o povo é tão burro que não vá associar os gastos dos eventos à falta de dinheiro para hospitais, escolas, saneamento, enfim, um bando de burocratas cercados de puxa-sacos, baseados em pesquisas de opinião pública mentirosas, no mínimo tendenciosas. E tem gente que defende essas pessoas como se todo o problema do país fosse afastar os neo-liberais do PSDB do governo, uma coisa não justifica a outra.

Uma coisa bem lembrada ontem, ao ver o ministro envergando um vistoso uniforme de atleta na cor amarela e um grande logotipo da Nike, foi que esse mesmo Aldo Rebelo investigou a empresa na CPI da Nike/CBF, que depois foi arquivada e nunca mais se ouviu falar, e que inclusive serviu de base para tirar o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira , do poder.

Mas o que realmente assusta é o discurso, totalmente alienado, dissociado da realidade do país, não reconhecer que muitas capitais onde estão construindo estádio pra Copa precisam de investimentos mais sérios do que estádios, o ministro só sabia dizer que "eles merecem ter um estádio", não é questão de merecimento, é de necessidade, o povo pede pão e o governo dá circo e uma esmola pra comprar algodão doce na entrada e acha que com isso está tudo resolvido. Dentro de alguns dias o Maracanã estará sendo reinaugurado, sendo que o evento será exclusivo para os operários e suas famílias, tudo para aliviar a tensão que hoje impera no canteiro de obras, palco de várias paralisações por melhores salários e condições de trabalho.

Quanto ao autódromo, talvez um dos assuntos mais espinhosos da entrevista, ele se limitou dizer que "está prometido", ou seja, que não tem nada certo, não foi capaz de falar uma coisa concreta, disse que tem acordos com a prefeitura e o EB, oras, sabemos muito bem que os acordos que este governo celebra são a perder de vista, ou seja, o sujeito que assinou com ele vira a esquina e acabou a validade, não se pode confiar nesse governo, principalmente diante da quantidade de iniquidades praticadas contra esse mesmo povo.

Esse é o inferno em que vivo há oito anos, é ver essas pessoas no governo cercadas pela blindagem da mídia, apoiadas por grupos econômicos que se não compram, destróem as pessoas que se opõem a eles através de uma claque ensaiada nas redes sociais, que repetem o discurso da lavagem cerebral que prega que "podemos tudo", que tem que "ter orgulho do que fazemos", mas ter orgulho de quê? De um país que mal se aguenta ns pernas, que tem uma infra-estrutura fraca, que não consegue escoar a safra de cotratos assinados há dois anos, que dá dinheiro para empresários fazerem obras porcas tais como portos que afundam sob o peso de contêineres, ferrovias inacabadas, estradas incompletas com pedágios escorchantes, um país que troca a agricultura familiar por agronegócio para plantar ração de porco tipo exportação, enquanto o preço dos hortifrutigranjeiros explode na mesa do cidadão, a desqualificação geral das profissões no país, fruto de uma política educacional que trata estudante como gado e considera um analfabeto funcional um cidadão pleno de condições de trabalho.

Não sei o que dizer mais, esse post é diferente de tudo que já escrevi aqui, poderia estar falando de automobilismo, da Copa Rio-Minas, da etapa do Paulista de Marcas que está cheio de pilotos cariocas fazendo bonito, mas não dá pra me calar diante do absurdo que vi ontem, provavelmente outros jornalistas, esportivos ou não, estarão repercutindo a entrevista de ontem, mas o que me preocupa é o silêncio do governo, se até o final do dia de hoje o Ministro dos Esportes não cair é porque estamos diante daquilo que o deputado Romário já declarou várias vezes: estaremos diante do maior roubo da história do país.

Para quem está chegando agora pode ser um choque descobrir isso, mas para quem, como eu, vislumbrou isso há oito anos, não é novidade.

Bem vindos ao meu inferno, aproveitem, ainda vem muita coisa até a pira olímpica se apagar.




3/28/2013

Copa Rio-Minas, mais novidades

Recebi mais algumas informações sobre a temporada carioca de automobilismo, temporariamente exilada em Minas, diretamente da FAERJ, através dos amigos pilotos do Regional.

CAMPEONATO ESTADUAL DE TURISMO - 2013


INFORMATIVO No. 01



Caro Piloto,

            Como já é de conhecimento de todos estaremos esse ano disputando o nosso Campeonato Estadual de Turismo em Minas Gerais, no circuito Mega Space, em Santa Luzia.

            Juntamente com a disputa do nosso Campeonato Estadual estará sendo disputado o Torneio Rio - Minas.

            O 1º evento do Campeonato Estadual e do Torneio Rio - Minas será em 27 e 28 de abril próximo, e o restante do calendário está disponível no site da FAERJ, WWW.faerj.org.br.

            Além de outros benefícios os pilotos inscritos para a disputa do Campeonato Estadual terão custeado:

            - o transporte para os carros de corrida;

            - 01 passagem aérea de ida e volta para o piloto;

            - 01 quarto duplo de hotel (02 diárias);

            - 06 rodas Ferraro para os carros.



Maiores informações poderão ser obtidas pelos telefones (21) 2240-3416 / 2220-1547.

Atenciosamente,
FAERJ

Mais algumas informações que pude colher são as seguintes:

Inscrição R$ 400,00
Pneu marshal aro 14 R$ 184,00
(sujeito a confirmação)

Parece bom, a pista do Megaespace suporta 35 carros no máximo, hoje no campeonato mineiro correm uns 20, com o que sobrou dos competidores cariocas que ainda tem seus equipamentos dá pra fechar um grid de 30/35, o que já uma boa coisa.

Não é o ideal, mas no momento é o que se tem, e sempre fui defensor de termos alguma coisa do que coisa nenhuma, apesar de tudo e de todos pelo menos alguns pilotos e preparadores poderão competir esse ano.

Enquando isso, o legado maldito do Pan continua dando cria, agora foi o Engenhão, fechado por conta da possibilidade de colapso da estrutura que segura a cobertura, apesar de que isso possa ser na verdade uma tentativa de lobby para empurrar o estádio do Maracanã para alguma empresa,

Os sinais de corrosão são visíveis há tempos, dá pra ver de longe, porque logo agora que o Maracanã está entrando em licitação eles fecham o Engenhão por tempo indeterminado? Talvez para acenar com lucros indecentes para algum provável investidor que queira pegar a bomba em que transformaram o "maior do mundo" com toda a carga de polêmicas que o cerca (Aldeia Maracanã, Célio de Barros, Julio DeLamare, Escola Friendich, estouro do orçamento para mais de um bilhão de reais), afinal de contas seria o único estádio grande dentro do Rio de Janeiro (e num raio de 500km) com capacidade para mais de 20 mil pessoas.

Claro que esse "lucro indecente"  às custas dos cofres públicos teria um preço: suportar a queda de demanda de uso após os Jogos, os promotores de eventos e shows vem amargando perdas consideráveis na bilheterias e até mesmo alguns shows vem sendo cancelados ou adiados, e pelo tipo de reforma que foi feito no maracanã ele se prestará mais para um show de música do que para um Fla-Flu. Logo podemos imaginar que o Maracanã não servirá pra muita coisa além de jogos do Carioca e do Brasileirão, que vem amargando também bilheterias pífias, que só melhoram no fim do campeonato quando a briga fica mais acirrada atraindo mais público.

Enquanto o Engenhão não desaba, além de outras coisas que estão na bica pra cair também, o Maria Lenk segue com suas estruturas (com a mesma idade do Engenhão) apodrecendo a olhos vistos, a Arena Multiuso relegada a palco de shows e eventos totalmente desvirtuada de sua finalidade, o velódromo já está sendo demolido, provavelmente o pinho siberiano irá alimentar alguma churrascaria porque duvido que vão ter o trabalho de remontar toda a estrutura em Goiânia como anunciaram, é mais fácil comprar tudo novo (e superfaturado é claro).

E o terreno do autódromo ainda está lá, vazio, sem uso, tanto é que pra ter o que fazer o consórcio resolveu brincar de esconde-esconde e cobriu a torre de controle com terra numa vã tentativa de esconder o cadáver que eles tanto tiveram gosto de criar.
  







Aguardemos, nada como um dia após o outro com uma noite (bem chuvosa de preferência) no meio

Nos vemos na pista.