8/25/2016

Quatro anos, e agora?



Fazem quatro anos, não foram quatro dias nem quatro meses, que eu estive em frente às cameras para o país inteiro ver (até hoje circula na internet), denunciando o esbulho do autódromo, naquele mesmo ano, terminadas as eleições, o autódromo foi demolido e coberto pelo elefante olímpico, a minha luta naquele momento ficou encerrada, passaram-se quatro anos, e agora, com a Copa e Olimpíadas terminadas, com tudo o que se previa acontecendo, para bom e principalmente, para ruim, o que podemos esperar?
Um novo autódromo, concordando com Rodrigo Mattar​ em seu texto publicado no seu blog A Mil por Hora, o Rio não só merece, mas PRECISA de um autódromo. A história mostra, nos anos que tínhamos a pista funcionando, aos trancos e barrancos, com direito até a furto de cabos e energia da subestação de força na véspera do evento da F-Truck, sempre lotou de gente.
Eu sei que 40/50 mil pessoas não se compara a uma copa ou olimpíada, mas é um movimento perene, que pode ser coroado com um evento internacional que lance interesse sobre a cidade, aí sim trazendo turismo internacional de peso, que paga caro.
Lembremos da rede hoteleira, que investiu maciçamente na cidade nos últimos 8 anos para este momento, agora esse momento passou, o que eles vão fazer? Mandar as pessoas embora e colocar tapumes nas janelas dos seus hotéis recém-construídos?
É hora de usar a cabeça, Deodoro é inviável por vários motivos, nem preciso falar, entre construir ali ou construir fora da cidade prefiro a segunda opção, já construir dentro do elefante olímpico um circuito temporário para pelo menos receber as provas da Stock, Truck e eventualmente alguma categoria internacional seria factível, barato e de retorno imediato não só para a prefeitura como também para os empresários de um modo geral.
Esse projeto megalomaníaco da Barra se sobrepôs a um projeto muito mais factível que era de construir a Vila Olímpica na zona portuária, onde se fez o boulevard olímpico e escondeu o transito que passava antes ali pelo elevado.
Se em algum momento forem feitos projetos não só de retrofit nos prédios da zona portuária como também se construir moradias naquela região, tranquilamente quem hoje sofre três horas por dia para entrar ou sair da Barra mudaria imediatamente para o Centro do da cidade, aí eu pergunto, quem vai pagar um milhão de reais dentro de um condomínio de tres mil unidades, um verdadeiro pombal, com sérios problemas de qualidade na obra e o esgoto entupido por milhares de camisinhas?
A pergunta hoje que se faz não é o rumo que a cidade irá tomar depois desses grandes eventos, únicos na história do Rio de Janeiro? Que ousou, irresponsavelmente, fazer dois eventos seguidos e aplicar recursos que dariam para construir duas vilas olimpicas, uma ele deu pros empresários, outra ele deu para a especulação imobiliária, e a conta enfiou no rabo do povo pra ele pagar pelos próximos 60 anos.
Um autódromo no meio disso tudo parece até tolice, mas não, pode ser pelo menos um alento para quem precisa manter seu negócio funcionando, podemos aproveitar a crista da onda em que o país se apresentou como porto seguro para turistas estrangeiros, tentar trazer de volta alguma coisa para a cidade.
O que vai sair das urnas aqui a 45 dias ninguém sabe, o meu candidato ainda é o mesmo, independente dele comprar a idéia de um novo autódromo ou não, mas o problema não é só político, é de vontade, tivemos quatro anos pra nos mexer e nada aconteceu, e pelo visto nada vai acontecer, porque? Alguém não quer essa nova pista? Quem? Empresários, políticos, especuladores, federações esportivas? Quem nos últimos doze anos vem sistematicamente sabotando o automobilismo carioca, privando a cidade de ter uma pista decente e fazer parte do cenário do automobilismo nacional?
Não adianta o automobilismo brasileiro ir bem (e não está nem um pouco no momento) se ele não está no Rio de Janeiro ele não existe, sério.
Morei os últimos seis meses em Santa Catarina, e todo santo dia o Rio era notícia, todo dia de manhã a tevê do salão do hotel estava ligada no Bom Dia Rio, e não era deferência a minha presença no hotel, era porque as pessoas se interessavam com o que acontecia aqui, isso vale pro resto do país, a nossa cidade, queiram ou não é referencia, polo de atração, podem chamar de balneário decadente, o que for, bairrismo à parte, é pra cá que essa porcaria que chamamos de imprensa, aponta, é aqui que as coisas acontecem, então caramba, porque essa perseguição, porque ficarem com os eternos preconceitos de carioca não gosta de automobilismo porque tem praia, gente isso é de um provincianismo tacanho, há muito tempo que carioca opta por outros meios de diversão que não são a praia, quem vai a praia final e semana é povão, que não tem dinheiro pra shopping nem subir a serra ou passear fora da cidade, se colocar um autódromo, com eventos bacanas e um preço bom, enche, sempre encheu, e sempre vai encher, a história mostra isso.
Não adianta os paulistas ficarem chamando Interlagos e "templo" enquanto ficam desdenhando dos cariocas, não adianta o pessoal do sul com seu vigoroso automobilismo de velocidade na terra e os seus autódromos ficarem enfurnados lá nos seus estados, não adianta o centro oeste com pistas como Goiania e Brasília (esta última sobrevivendo sabe-se lá Deus como) ficarem praticamente esquecidas do resto do país, enquanto não tivermos uma pista no Rio de Janeiro, tivermos eventos automobilisticos na cidade do Rio de Janeiro, o automobilismo brasileiro como um todo não terá visibilidade, nem midiática, nem econômica,e muito menos, será prioridade na mesa de qualquer governante desse país.
Somos herdeiros de uma história muito bonita, tanto dentro como fora de nossas fronteiras, está se jogando no lixo o esforço de milhares de pessoas que durante décadas praticaram o esporte a motor como trabalho, lazer, com ou sem lucro, mas que reúne em torno dele uma massa de aficcionados com bom poder aquisitivo, e que está sendo deixada de lado.
Aguentamos quatro anos sem autódromo, quantos mais até essa gente imbecil com idéias do século passado começar a raciocinar e construir uma pista e trazer os eventos internacionais de volta à nossa cidade, até quando?