Já se passaram três semanas da eleição para prefeito e eu estava devendo uma postagem a respeito disso, mas cabia esperar ainda uma eleição mais importante, que era a eleição para a presidência dos EUA, essa é a que, eu acho, poderá definir o futuro do autódromo de Jacarepaguá.
Não, não estou maluco, acho que todos o que acompanham o blog, alguns desde o início, sabem que a proposta de eliminação física da pista e posterior esbulho do espaço público seria feito baseando-se na premissa de que iríamos realizar as olímpiadas aqui, na primeira vez, em 2004, bateram na trave, tinham um projeto megalomaníaco que acabou sendo utilizado no Pan 2007, capado de suas premissas mais importantes, virou um rebotalho de soluções mal-feitas, especulação imobiliária, improviso e esculhambação generalizada.
Os resultados, um ano após o evento são claros, abandono dos equipamentos esportivos por inviabilidade econômica, gargalos de trânsito por falta de implantação do projeto viário previsto na proposta inicial e um monstruoso rombo orçamentário, que segundo o TCU passa de 1.500% só na esfera federal, ou seja, de recursos pagos pela União, não entraram nessa conta os valores gastos pelo estado e munícipio, que devem estar igualmente superfaturados.
E a consequência disso foram as duas últimas eleições aqui no Rio, para governador e prefeito.
Na de governador foi eleito um testa-de-ferro que usou a mesma máquina política suja do governador Anthony Matheus, cassado e inelegível, que se apresentou como uma esperança de renovação da política e se mostrou um redundante fracasso.
Na prefeitura a coisa seria ainda mais grave, o mesmo partido do governador sacou de última hora um candidato que alguns meses sequer pertencia ao partido, mas tinha que ter o estofo de pelego recebedor de ordens igual ao governador para poder assumir a cadeira da prefeitura, nada mais apropriado que a cria do prefeito Cesar Maia, um subprefeito de péssimos antecendes, secretário de meio-ambiente de igual incompetência e depois alçado ao congresso em Brasília para fazer parte da tentativa de golpe de estado do Mensalão, com uma trajetória medíocre, cujo único destaque está registrado nos anais da Câmara Federal na forma de um discurso virulento recheados de impropérios, dirigidos ao presidente da nação e sua família, fracassado em sua missão golpista, retorna ao Rio, sai mais uma vez de um partido para ingressar no partido do governador recém-eleito, e faz sua parte na farra do Pan, gerenciando as obras do complexo do Maracanã.
Com esse retrospecto inscreve-se de forma fraudulenta na campanha para prefeito da cidade e usa a máquina suja eleitoral de Anthony Matheus e seu fantoche Sérgio Cabral, para ganhar a eleição da prefeitura do Rio.
Nem vou entrar no mérito da forma como a eleição transcorreu, todo mundo viu e ouviu muita coisa, eu só posso dizer que se houver posse ela era será ilegítima e deverá ser combatida por todos os meios legais conhecidos até o último dia de seu, espero que impossível, governo.
Mas o que cabe a este espaço de exposição de idéias, não é a forma que pelo voto fraudado esse sujeito aparece como candidato eleito, é a maneira como ele vem montando seu secretariado, principalmente no que tange à parte que nos interessa a Secretaria de Esportes e o o gerenciamento dos equipamentos do Pan.
Os nomes indicados não poderiam ser piores, na Secretaria de Esportes o Sr. Francisco de Carvalho (vulgo "Chiquinho da Mangueira") e na Secretaria especial Rio 2016 (ex-"do Pan") o Sr. Ruy Cezar de Miranda Reis, o indiciado.
Quanto ao primeiro, basta dizer que sua máscara caiu quando foi ao comando da PM pedir que as operações de combate ao tráfico de drogas no morro da Mangueira fossem interrompidas, em nome disso, posteriormente, declarou que era para preservar a integridade das crianças que saiam das escolas, como se o os bandidos não se favorecessem de saber os horários em que a polícia faria suas incursões, tanto é que até hoje a referida favela e suas adjacentes (Telégrafo, Tuiuti e outras) são consideradas um verdadeiro caldeirão do inferno, onde mais de uma vez ficou comprovado o forte armamento utilizado pelos marginais além de um grande comércio de drogas instalado no local.
Esse indivíduo, o Sr Francisco, na época era presidente da Suderj, que vem a ser a empresa pública que é responsável pelo Maracanã, à mesma época o autódromo também era patrimônio público do Estado, só sendo transferido posteriormente pelo governador Cabral para a prefeitura através de um ato lançado em Diário Oficial, cujo teor até hoje desconheço por não conseguir achar o referido documento em lugar algum, e o pior, sabendo que o terreno do autódromo é o lastro financeiro do Rio-Previdência, o mesmo que hoje encontra-se praticamente falido.
Se somarmos 2+2 veremos que uma mão está lavando a outra, afinal o candidato eleito foi chefe da Suderj em sua passagem meteórica pela secretaria enquanto esquentava lugar e viabilizava as obras do Pan, via recursos extraordinários arrancados do governo federal mediante a chantagem suja do "não podemos passar vergonha" movida pelo prefeito Cesar Maia, e apoiada pelo ministro e atual presidente da Anvisa, Agnelo Queiroz e seu vice Orlando SIlva (depois envolvido no escandalo dos cartões corporativos por causa de uma despesa envolvendo compra de pamonhas, então por hora codinominado "da pamonha", para fins de registro e identificação).
Então, apresentado o personagem, o que podemos esperar dele?
Posso adiantar uma coisa, nada de bom, em 2006 com as obras iniciadas e os pilotos junto com a CBA (na época ainda não cooptada pelo COB e pela máfia do vergalhão) estávamos fazendo uma pressão muito grande contra as obras e já havia sido ganha em primeira instância uma liminar para a paralisação das mesmas, com o aval da CBA estávamos metendo o pé na porta e tentando parar aquela insanidade antes que fosse irreversível.
E esse personagem, o Sr. Francisco, entra em cena como mediador, vindo em nome do presidente do COB negociar uma trégua e fazendo promessas que após o evento haveria uma compensação pelas avarias provocadas na pista.
Se ele se lembra bem dessa reunião, ele vai lembrar do que eu disse a respeito da proposta e principalmente as minhas considerações sobre o presidente do Comitê Olímpico Braslieiro, as quais eu estendo agora a toda a diretoria do órgão e seus assessores, com sorte em uma viagem dessas ela acontece.
Com esses antecedentes está claro que sua missão a frente da Secretaria de Esportes será apenas a de pegar o autódromo e entregar, com qualquer resultado da eleição para a cidade-sede, para que o Comitê assuma e destrua o que sobrou da pista, alegando talvez uma necessidade de mais espaço ainda para promover suas ações sociais e de treinamento de atletas de alto rendimento, a mesma alegação que levou a construção dos equipamentos olímpicos que hoje estão em total abandono ou subutilizados.
Até o momento, novembro de 2008, não vimos acontecer nada do que foi prometido, não que isso seja novidade, o final do mandato de prefeito impediria qualquer gasto fora do orçamento, e a não-colocação de verba destinada a esse fim é porque em nenhum momento foi considerada qualquer possiblidade da pista ser refeita ou melhorada.
Com isso entra em cena a figura do Secretário Rio 2016, o Sr. Ruy Cezar, também conhecido, como "o indiciado" ou "me dá um dinheiro aí".
Ele é o caixa-forte de toda essa operação suja chamada Pan 2007, desde os contratos sem licitação aos funcionários fantasmas das vilas olímpicas (procurem na internet a "operação ganfanhoto", devidamente documentada como processo na DRACO), passando pela administração de todos os contratos de obras existentes para o Pan 2007, os resultados poderão ser encontrados, algumas coisas, no processo do TCU.
A sua permanência dentro do governo se dá mais pela necessidade de ter alguém confiável e que fique de boca fechada, não pelo que poderia falar, mas para não ter a goela larga demais e meter os pés pelas mãos, aliás, o próprio se auto-denomina "um soldadinho do Cézar Maia" e como taç obedece cegamente as ordens, claro que sua presença na nova admistração municipal será salvaguardar certos interesses.
A impressão que fica é que estamos assistindo a tomada do poder pelo segundo escalão, aqueles barnabés de repartição pública que sempre ficavam nas ante-salas do poder assistindo os governantes e fazendo planos de como poderiam lucrar se estivessem no lugar deles.
Claro que o projeto de poder deles não visa melhorias na cidade, apenas o poder pura e simples, o loteamento da máquina adminitrativa e sua consequente utilização para se perpetuarem no comando.
Mas isso poderá ter um revés inusitado, vindo de muito longe, lá dos EUA.
A eleição de Barack Obama coloca um ponto final nas pretensões pífias do Rio de Janeiro sediar os Jogos, até porque a crise econômica que assola o mundo está diminuindo drasticamente o mercado, principalmente de supérfulos, como o esporte, vários times de futebol e até mesmo a toda-poderosa F1 está tomando providências para cortar custos e baratear a categoria.
A farra do dinheiro fácil está acabando e com ela morrem os projeto megalomaníacos de muita gente, a vitória de Barack significa duas coisas.
Primeiro, o início da recuperação econômica dos EUA, eles precisam disso e o mundo inteiro conta com essa retomada, porque afinal ele são a mola impulsora do capitalismo, se eles pararem o mundo pára de uma forma ou de outra, e nessa luta, sediar os Jogos lá em Chicago é de suma importância não só para elevar a moral do país como também injetar recursos para empregar milhares de pessoas, direta e indiretamente.
Segundo, o mais importante, Barack é de Chicago, nascido e criado lá, teve sua campanha centralizada nessa cidade, e é para lá que ele concentrará recursos, sua campanha para a presidência era bem-vista pelo COI porque ao contrário do candidato adverário, McCain, não tinha antecedentes que o incirminassem, como o caso célebre das olímpiadas de inverno de Salt Lake City em que denúncias de suborno aos delegados do COI foram feitas e que na época o presidente do NOC (Comitê Olímpico Norte-Americano) era o o candiato Republicano à Casa Branca.
Estava claro que se McCain ganahsse a eleição, Chicago estaria automaticamente fora por conta da restrição que a presidência do COI tinha contra ele, e era com isso que o COB contava para continuar com esperanças de receber os Jogos, apesar de ter recebido a nota mais baixa na avaliação do Comitê, só entrando na disputa por conta dos 80 milhões de reais injetados na campanha Rio-2016, dados pela Presidência da República por conta de um achaque residual do Pan, para manter as aparências de que o rombo praticado em nome daquela comédia que foi o evento, e que deu seus frutos no pífio desempenho da delegação brasileira em Pequim (a maior de todos os tempos, a mais cara e a de resultados mais inexporessivos na relação nº de atletas X medalhas).
Hoje o cenário que se apresenta para o futuro do autódromo é incerto, tanto ele pode ser largado às traças como ser entregue em holocausto para um projeto megalomaníaco.
Mas há um fator que ainda não fopi pensado, nos bastidores dos Jogos em Pequim, a Globo perdeu os direitos de transmissão não só do Pan da Guadalajara como também das Olímpiadas de Londres, com isso só resta à Platinada do Jardim Botânico a Copa de 2010 na África do Sul, apesar dela vir tentando negociar com a emissora do bispo um acordo para a TV a cabo, porque a TV aberta será exclusividade da Record.
Deve ser terrível viver um país uma emissora de TV tem o monopólio de transmissão de um evento, ainda mais quando essa emissora não é a da opinião publicada oficial.
Então, restou a Globo, por incrível que pareça, a brecha esportiva, grande e mal utilizada por sinal, do automobilismo, ela já transmite a F1 e a a Stock Car, que mesmo com suas limitações já são bastante coisa, porque então não abraçar o automobilismo nacional como um todo?
Se ela quer combater a emissora do bispo esse seria um ótimo caminho, divulgando e apoiando um esporte que tem um apelo emocional muito forte nos brasileiros, como também, uma plasticidade e possibildiades mercadológicas muito maiores que um jogador de futebol ou atleta olímpico.
Mas isso seria querer demais de uma emissora que se especializou na estupudificação das massas e da deformação da informação em troca da governabilidade.
Resta saber até onde ela irá suportar a corrosão de seus alicerces por um adversário mais cruel e sem escrúpulos que ela.
Voltando ao assunto autódromo, estamos fechando o ano do mesmo modo que iniciamos, num mar de incerteza.
A última vez que entrei no autódromo vi um estado geral de abandono, coisa que não deve estar muito diferente agora, e que nem mesma a Corrida do Milhão da Stock conseguiu esconder.
Para o ano que vem, seja com que prefeito for, alguma coisa terá que ser feita, pois ficar esperando mais um ano - só em novembro de 2009 é que será anunciada a cidade que receberá a olimpíada de 2016 - para saber se o automobilismo carioca terá condições de se reeguer, mais uma vez, da estupidez dos atos dos governantes, e cabe aos pilotos, preparadores, mecânicos, e, porque não, a própria FAERJ, ir cobrar a quem de direito, seja o Secertário de Esportes, seja o Prefeito, ou até mesmo a própria CBA ( que também passa por um processo eleitoral na qual está havendo uma cisão em que de um lado ficaram todas as federações estaduais apoiando a oposição e do outro lado a FASP apoiando a tual administração) ir cobrar do Governo Federal o prejuízo que toda essa palhaçada olímpica causou na vida dos profissionais que trabalham no automobilismo brasileiro, porque é incomcebível que a seguda maior cidade do país, e a primeira em importância cultural, não tenha um autódromo decente, e o pior, fique alijada dos grandes eventos internacionais do automobilismo, por conta de uma visão tacanha de um bando de barnabés carreiristas e megalomaníacos.
Já malhei muito ferro frio, a iniciativa agora está com os verdadeiros interessados, aqui eu só coloco os fatos e as minhas opiniões, como venho fazendo desde 2005 quando criei esse blog, muitos atribuem o fato de ainda termos autódromo por eut er tomado a iniciativa desse trabalho, mas ele seria inócuo se as pessoas não acreditassem nele, então acredito que se hoje ainda existem essas pessoas, e que se elas acreditam que é possível salvar o autódromo, conseguir reformá-lo e colocar a frente dele uma administração profissional e séria para que o Rio de Janeiro possa voltar ao calendário mundial dos grandes eventos automobilísticos, elas tem que fazer isso se tornar realidade.
O momento é agora, porque esse governo que está entrando tem uma dívida muito grande com a cidade, que é o fato de não ter sido eleito pela maioria dos eleitores, então, se ele foi eleito de forma ilegítima terá que legitimar-se pelos seus atos, e um deles será recuperar esse autódromo, que já foi considerado um dos melhores do mundo e que sediou a F1 por uma década, porque se essa pista for perdida o Rio de Janeiro será varrido do mapa do automobilismo nacional e internacional para sempre.
11/11/2008
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1 comentários:
Prezado
Sou novo no pedaço e dou maior apoio à sua iniciativa...parabéns!
Além de já ter assinado o ABAIXO-ASSINADO estou divulgando este trabalho no meu BLOG.
Uma sugestão é colocar o NELSON PIQUET nesta campanha...informando-o que seus inúmeros fãs não gostariam de ver seu nome sendo desprestigiado por políticos inescrupulosos...etc etc.
Afinal o autódromo leva o nome dele.
abçs
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